Universo, desenho e forma na arte de Cristina Walter

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Cristina Walter é daquelas pessoas que está sempre criando algo, tem necessidade de trabalhar com as mãos e ao mesmo tempo expressar o que sente, seja para expor ou para guardar em algum lugar da sua casa/ ateliê, que divide com seus três gatos. Apaixonada por desenho, inicia seus primeiros traços ainda criança inspirada no irmão mais velho, que também desenhava. Com o tempo, o irmão perdeu a atração pelo desenho, à irmã, descobriu a arte.

Além do desenho, outros trabalhos da artista que chamam muita atenção são a infinidade de  origamis, dobraduras e colagens que ela desenvolve. Inspirados na cultura oriental ou em propostas e conceitos nos quais a dobradura em papel é suporte para expandir a outros universos como o da pintura, aos poucos, o que antes era apenas tinta impressa em papel, transformou-se quase que em telas resguardadas por molduras.

O ano de 2018 tem sido muito proveitoso para Cristina, que após associar-se a AAPLAJ (Associação dos Artistas Plásticos de Joinville), vem se desafiando cada vez mais e já estuda  aventurar-se por outras linguagens. Neste ano, foram três exposições muito importantes: “A Margem-Um olhar sobre o rio”, “Exposição Urban Sketchers Brasil – durante o III Encontro Urban Sketchers Brasil – Salvador/BA”, “Coletiva de Aquarelas do Grupo Observa Joinville”.

Para que sua arte e sua técnica esteja acessível a cada vez mais e mais pessoas, a artista realiza oficinas de origami e divulga seus trabalhos através da página do facebook e da marca, Universo Quadrado. Agora você também encontra as produções da Cris na loja virtual do arte na cuca. Confira a seguir a entrevista exclusiva que ela concedeu ao site, e conheça mais sobre uma de nossas parcerias, e um pouco do que ela faz e pensa sobre arte.

ARTE NA CUCA: Apesar de já produzir arte faz algum tempo, você é uma artista que está começando a se apresentar e a expor cada vez mais na cidade. Conte para nossos leitores e leitoras quem é Cristina Walter?

CRIS W: Meu nome é Cristina Walter da Silva, mas assino meus trabalhos apenas como Cristina Walter. Nasci na cidade de Joinville em 01/12/1970 e comecei a trabalhar aos quinze anos, mas infelizmente apenas meu primeiro emprego tinha relação com desenho, pois trabalhei numa agência de publicidade. Aos 23 anos me aventurei a morar em Curitiba/PR e depois de dois anos morando lá e estudando, a ajuda financeira do meu pai acabou. Fui obrigada a largar os estudos e trabalhar. Só depois de voltar a Joinville em 2012, que meus planos de ser artista voltaram a florescer. De lá para cá, espero continuar trilhando esse caminho, estudar e praticar cada vez mais para minha evolução profissional, fazer novas exposições e ser reconhecida como artista.

ARTE NA CUCA: Quando você começou a desenhar?

CRIS W: Comecei a desenhar ainda criança. Quando era pequena gostava muito dos desenhos do meu irmão mais velho e queria desenhar como ele. Infelizmente ele parou, mas eu continuei com o incentivo da minha mãe que também pintava e desenhava.

ARTE NA CUCA: Após saber que sentia esse desejo de levar o desenho adiante, quais alternativas você procurou para aperfeiçoar seu traço? Estudou em alguma escola de arte?

CRIS W: Aos onze anos fui estudar na escolinha de artes da casa da cultura Fausto Rocha Júnior, depois cursei desenho juvenil, desenho publicitário e desenho adulto. Permaneci por cinco anos. Lá eu tive aulas com Luiz Si, Nadja de Carvalho Lamas e outros professores maravilhosos. Quando mudei de Joinville/SC para Curitiba/PR, frequentei curso de pintura por dois anos na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atualmente me dedico às aulas de pintura em aquarela com a artista Silvana Pohl.

ARTE NA CUCA: Como iniciou tua trajetória artística? Tens participado cada vez mais de reuniões e encontros de artistas, assim como de exposições. Conte-nos sobre como tudo começou.

CRIS W: Iniciei ministrando cursos e workshops de origami. O primeiro foi na empresa TOTVS em 2015. Eu trabalhava lá na época e como eles tinham um projeto interno de incentivo aos funcionários para mostrar seus talentos, me inscrevi propondo o workshop de origami. Para minha surpresa, no ano seguinte me convidaram para repetir o workshop.

Com o sucesso dessa primeira experiência, criei coragem e me inscrevi para participar do “Inconsciente Coletivo” (2015), e participei de duas edições (2015) e (2016). Ainda em 2016 realizei minha primeira exposição que aconteceu na Casa 97.

No ano de 2017 foram mais duas oficinas realizadas durante os eventos “Curta Otto” e “II Festival de Aikido e da Cultura Japonesa”. Neste ano, 2018 , me associei a AAPLAJ e decidi me desafiar e produzir e expor cada vez mais como artista. Está sendo um ano muito produtivo, participei de três coletivas de artistas que foram: “A Margem-Um olhar sobre o rio”, “Exposição Urban Sketchers Brasil – durante o III Encontro Urban Sketchers Brasil – Salvador/BA”, “Coletiva de Aquarelas do Grupo Observa Joinville”.

ARTE NA CUCA: Como surgiu a ideia de se dedicar a aprender a arte do origami e das dobraduras?

CRIS W: O origami entrou na minha vida quando eu ainda morava em Curitiba. Um dia, passeando pela feirinha do Largo da Ordem, encontrei uma expositora que dobrou e fez um Tsuru (Garça) minúsculo na minha frente e depois me deu de presente. Fiquei fascinada com aquilo! Um pedaço de papel quadrado virar um pássaro. Parecia mágica!

Ali mesmo na feira, falei para mim mesma que iria aprender a fazer aquilo de qualquer jeito. Então comecei a praticar por meio de livros e diagrama que encontrava na internet, também Fiz curso no Solar do Barão, em Curitiba, que gerou uma exposição coletiva no mesmo local. Assim eu fui aprendendo e desenvolvendo a técnica e depois a arte.

ARTE NA CUCA: O que foi e o que representa para você aprender essa técnica e essa arte milenar de origem oriental?

CRIS W: O origami é uma arte milenar que não tem sua origem muito definida. São muitas as teorias, mas foi no Japão que ela se desenvolveu tornando-se uma prática muito popular tanto para crianças como para adultos. O origami parte da sua forma mais tradicional, de um papel quadrado sem o uso de cortes ou cola (no caso do origami modular) segundo os praticantes puristas da técnica. “Já o origami pra mim, é uma grande paixão que pratico há mais de vinte anos e que está ajudando muito a tornar meu sonho de ser artista uma realidade”.

ARTE NA CUCA: As colagens e origamis que você produz e expõe em molduras são criações suas? De onde surgiu a ideia para essa produção?

CRIS W: Na época que comecei a fazer esse trabalho, queria fugir do que os praticantes da técnica costumam fazer, que são as peças tradicionais ou móbiles. Quando eu ainda morava em Curitiba, cheguei a fazer o que acredito ser a semente do que faço atualmente. Desenvolvi essas criações em molduras baseada na prática e por buscar maneiras de manter a vida útil do papel, já que se trata de um material frágil. Aos poucos fui aperfeiçoando o origami tradicional, pois na época não conhecia nenhum artista que usava o origami na produção dos seus trabalhos artísticos. Hoje já conheço alguns artistas, mas nada muito semelhante ao que faço.


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