Existe arte na escola?

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Durante esses seis anos atuando em escolas, posso afirmar que muito dos trabalhos em arte-educação que realizei foram movidos por minha determinação e interesse. Já não consigo contar mais nos dedos, quantas vezes gastei dinheiro do meu próprio bolso para comprar materiais que seriam utilizados pelos alunos em minhas aulas, ou quantas vezes peguei o ônibus  repleta de bolsas com livros, tintas, papéis e reproduções de imagens de obras de arte.

Ser arte-educadora é acreditar e ao mesmo tempo duvidar que o ensino de arte nas escolas como conhecemos, seja realmente capaz de atender as nossas expectativas e de nossos alunos. A escola tradicional repele a arte. Pergunto-me como é possível aprender qualquer coisa na vida sem se emocionar, principalmente arte, que fala aos sentidos.
Na escola há pouco tempo para se emocionar, é preciso aprender a racionalizar e se importar com os conteúdos que supostamente farão do aluno um profissional de sucesso.

Que professor de arte, nunca passou por situações que jamais pensaria em passar quando estava na universidade? Talvez em algum lugar por aí, exista a instituição quase perfeita que tanto buscamos, mas o fato é que o desrespeito e preconceito com o ensino da arte na escola, começa nas atitudes da direção e na sala dos professores. 


Tomara que você leitor- professor desconheça essas situações. A  minha experiência, faz parte do universo das escolas particulares em que por diversas vezes precisei dispensar alunos das minhas aulas por estarem realizando reposição de provas de outras disciplinas, além das crianças pequenas que ficavam sem aula de arte, porque os pais davam prioridade às aulas de inglês e na instituição em questão, havia choque de horários. Ou, o que é ainda pior: o professor é quem precisa deixar de lado os conteúdos e vivências programados para sua única aula da semana, e realizar as famosas lembrancinhas de dia das mães, páscoa, natal e etc.

Por último, mas não menos importante: quando o professor de outra disciplina pede para  dispensar os alunos 10 minutos mais cedo, com a desculpa de que assim eles podem aproveitar melhor o lanche. Sim, é nesse mundo que nós, profissionais que escolhemos trabalhar com o ensino da arte, vivemos.
E isso é porque eu nem mencionei a falta de material e as dificuldades em levar os alunos a eventos de arte, a maioria nunca foi ao teatro, exposições, saraus e etc. E é fazendo de conta que ensinamos e proporcionamos ricas experiências às crianças, que elas sairão da escola e aos poucos perderão o interesse pela arte pela cultura.

Muitas dessas crianças um dia serão administradores de empresas, diretores de escolas, professores, que sem ter conhecido a arte de maneira mais íntima e verdadeira, reproduzirão os velhos conceitos, o que faz com que o ciclo da negligência nunca tenha fim.
E por mais que nós professores, nos esforcemos tentado levar ao menos um pouquinho do que de fato deveríamos ensinar nos espaços escolares, o que nos acompanha é a frustração de saber que o papel craft pode até ser democrático, mas o ensino não.

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