60 anos de resistência: Sociedade Kênia Clube de Joinville

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Foto: Divulgação facebook do clube

“Zelar pelos interesses dos associados socorrendo-os em casos de moléstias, mortes, perseguições ou outras circunstâncias acidentais” e “elevar o padrão social e intelectual da gente de raça negra” é o que prevê o fragmento do Estatuto do clube considerado símbolo da resistência negra em Joinville e que desde 1960 contribui com a produção cultural e transformação social da cidade.”

A Sociedade Kênia Clube, com sede na rua Botafogo nº 255 bairro Floresta,  comemorou 60 anos de existência no dia 06 de setembro, uma iniciativa dos amigos Luiz Paulo do Rosário (Alegria), José Francisco Ramos (Zete), Rubens Martins, Marcelino Rocha, Luiz Fagundes (Zuca), José Carlos Nascimento (Begue), José Domingos Cardoso e Oziel Silva.

O principal intuito do clube era que os jovens negros da época tivessem um local de encontro e lazer. Seus fundadores em um ato de resistência contra o preconceito racial e de classe social, iniciam o que mais tarde tornar-se-ia ponto de referência da cultura negra na cidade. “Ele surge de uma reunião de amigos que sempre iam jogar bola e que formaram um time de maioria negra, ao qual deram o nome de Senegal. A partir daí começaram a conversar sobre como poderiam fazer essa recreação além do futebol, porque queriam bailes, música, atrações”, relata Luiz P. do Rosário.

Oito homens fizeram história, quando tomaram a iniciativa de lutar contra a segregação racial e o pensamento eugenista da época. Os clubes pertencentes à área central da cidade, nem sempre eram receptivos as pessoas negras e, segundo Luiz P. do Rosário, “Existia uma divisão entre brancos e negros e se quiséssemos entrar em um salão de baile não havia problema, mas podíamos apenas beber cerveja, dançar nem pensar.” Além das questões de raça, cor da pele e status socioeconômico, a classe operária era inferiorizada em sua cultura, lazer e educação. Os bairros não recebiam a mesma atenção que o centro, algo que ainda é perceptível na população e na gestão do município.

A impossibilidade de exercer sua própria cultura e gozar do pleno direito à cidadania e liberdade, fato que se deu por falta de consciência e fala de locais adequados nos bairros da zona sul, foi o pontapé inicial do que seria a Sociedade Kênia Clube. Em 1965 o Kênia passa a contar com sede própria na rua Botafogo, a construção até então de madeira, hoje dá lugar ao edifício de alvenaria que abriga muitos bailes, festas e eventos culturais.

Sempre a frente do seu tempo, contribuindo para o bem estar da comunidade, o clube abriu suas portas para aulas de alfabetização para adultos, assim como era o responsável pela primeira escola de samba de Joinville, a “Amigos do Kênia”, fundada em 1968 e que atualmente tem o nome de “Príncipes do Samba”.

Entre autos e baixos, são muitas as histórias da Sociedade Kenia Clube, um espaço cultural de extrema importância para a cidade de Joinville. Local que há 60 anos vem ampliando nossos olhares sobre a cultura negra e toda a dinâmica de nossos corpos, mentes e emoções. Um clube que nasce da resistência ao racismo e do desejo de alguns amigos, de construir um lugar de fala, expressão e identidade para fazer a diferença.

Parabéns, Kênia Clube.

Fontes de pesquisa

https://publicacao.uniasselvi.com.br/index.php/HID_EaD/article/view/1469

https://www.nsctotal.com.br/noticias/kenia-clube-um-lugar-de-resistencia-e-valorizacao-da-cultura-afro-em-joinville

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