“Luzes de Emergência se Acenderão Automaticamente”

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Por Carol Spieker

Passeando pelas estantes de uma livraria, um título me salta aos olhos: “Luzes de Emergência se Acenderão Automaticamente.” Trata-se do livro da gaúcha Luisa Geiler, publicado em 2014 pela Editora Alfaguara.

O livro de 295 páginas, divididas em 30 capítulos narra a história de Henrique, ou apenas Ike, como é conhecido pelos amigos em Canoas, Rio Grande do Sul. Ike é jovem, mora com os pais, trabalha em um posto de gasolina, namora uma menina e se diverte com os amigos. Entre eles, o mais próximo é Gabriel. No entanto, em um feriado chuvoso, Gabriel sofre uma queda em casa, bate a cabeça e é levado inconsciente para o hospital onde permanece em coma. Os médicos dizem que não há muito o que fazer, a não ser esperar. Enquanto espera, Ike escreve cartas para Grabriel “pra quando tu acordar”.

Livro: “Luzes de Emergência se Acenderão Automaticamente.” 

O enredo da obra então passa a dividir-se entre a narrativa em primeira pessoa, alternada com diálogos entre os personagens e as inúmeras cartas que Ike passa a escrever diariamente para Gabriel afim de que ele não perca nenhum acontecimento, por mais banal que seja, quando acordar do coma. O fato é que, vivendo entre o trabalho no posto de gasolina, o namoro e as intermináveis cartas para Gabriel, Ike não tem a exata noção de até que ponto realmente sabe o que acontece à sua volta e o que os outros pensam acerca dos fatos.

Mesclando narrativas curtas e cartas, Luisa Geisler constrói um romance surpreendente, daqueles que prendem a atenção do leitor do início ao fim, tratando dos conflitos e das alegrias que permeiam a vida de jovens que estão enfrentando as descobertas da entrada na “vida adulta”, de modo sensível, cativante e bem humorado. Entre a narrativa e as cartas, Ike passa a descobrir seu lugar no mundo: na família, no trabalho, na relação com sua namorada e com outros desejos que lhe surgem enquanto, com os pais e o irmão de Gabriel, espera que ele acorde do coma para ocupar o lugar que ficou por ser preenchido em suas vidas, desde o dia daquele acidente, naquele feriado chuvoso da cidade de Canoas.

Ninguém me havia indicado esse livro, que foi daqueles achado que simplesmente caem em nossas mãos, mas eu adorei e recomendo e, embora seja classificada como ficção brasileira e não como literatura infantojuvenil, a obra pode interessar a jovens e experientes leitores, justamente por tratar de temas que envolvem jovens saindo da adolescência e entrando na vida adulta.

Carol Spieker
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