Fotografias do artista Adilson Santos propõe discussões sobre patrimônio, memória e identidade

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Imagem: Adilson Santos. Técnica: Fotografia híbrida.
Por Celiane Neitsch

Para concluir o projeto “Conversas Virtuais com o Arquivo Histórico de Joinville”, que propôs reflexões sobre os diferentes tipos de acervos acondicionados no prédio do Arquivo Histórico da cidade, convidamos o artista visual e fotógrafo joinvilense Adilson Santos, para falar sobre sua série intitulada ”Passado Presente”. A apresentação do trabalho de Santos, não tem a intenção de encerrar as discussões sobre os temas, mas sim, provocar novas inquietações a respeito da importância de preservamos nosso patrimônio cultural e nossas memórias coletivas.

Na série, o artista se apropria de fotografias do passado, coletadas em grupos e redes sociais e propõe por meio de manipulação digital, uma junção entre as imagens do passado e fotografias de sua autoria, que retratam o tempo presente. Desta maneira, as transforma em fotografias híbridas, que se trata da integração de meios, suportes e formatos, propiciando a “contaminação” das mesmas.  

O fotógrafo sugere a ideia de fusão entre dois tempos, na busca por uma estética ou instante ideal. Seu trabalho aborda questões de cunho político, estético e filosófico, que contribui para a formação e sensibilização do público que entra em contato com suas fotografias.

Adilson Santos – Fotógrafo e Artista Visual

Em entrevista ao Arte na Cuca, Adilson Santos fala com exclusividade sobre a série “Passado Presente”, para a qual vem pesquisando desde 2019 e trabalhando com mais intensidade durante à pandemia.

Arte na Cuca: Você já se tornou conhecido pelas colagens – principalmente as realizadas com as etiquetas adesivas coloridas – participando de exposições coletivas na AAPLAJ (Associação dos Artistas Plásticos de Joinville) e individuais realizadas no Garten Shopping, no Gabinete do Presidente da Câmara de Vereadores de Joinville e Gabinete da Prefeitura de Joinville. Mas a série “Passado Presente”, segue uma linha mais conceitual, que instiga o público a refletir sobre a imagem. Como surgiu a série e qual a motivação para este projeto?

Adilson: Surgiu pelo prazer de fotografar os pontos turísticos e a arquitetura da minha cidade. São fotos tiradas há quatro anos e guardadas, com objetivo de criar algo para mais tarde. Há dois meses eu sigo paginas no Facebook, que publicam imagens antigas de Joinville e foi daí que brotou a ideia e motivação para criar os trabalhos que fazem parte da série.

Arte na Cuca: “Passado Presente”, traz várias imagens onde é possível reconhecer ruas, pontos turísticos e principalmente construções antigas consideradas patrimônio arquitetônico e cultural da cidade de Joinville/SC. Como você enxerga a atual situação da cultura e do patrimônio na cidade?

Adilson: A atual situação da cultura e do patrimônio antes da pandemia já era difícil, agora está sofrido. Não há a devida valorização de nosso patrimônio e cultura por parte dos gestores municipais e existe pouco apoio da comunidade.

Arte na Cuca: No dia 19 deste mês a cultura joinvilense, sofreu uma enorme perda com o incêndio de parte da construção que abrigou a cervejaria Antárctica, atualmente conhecida como Cidadela Cultural Antárctica. Em sua opinião, como o descaso e abandono deste espaço destinado à promoção das artes, afeta a produção cultural de Joinville?

Adilson: Acredito que se o projeto da Cidadela Cultural Antárctica tivesse sido realizado, a cultura das artes plásticas e cênicas em Joinville estaria no mesmo nível da arte da dança, a qual Joinville é considerada referência.

Arte na Cuca: Em “Passado Presente”, chama muito a atenção o trabalho que propõe reflexões sobre o patrimônio arquitetônico e a paisagem cultural da cidade, bem como a condição em que vivem comunidades descendentes de uma das culturas originárias do nosso país. Em 23 de março deste mês, os jornais e as redes sociais noticiaram um fato extremamente grave: a tentativa da prefeitura de retirar à força, famílias de descendentes indígenas, situadas no bairro Fátima.
Você acredita que a arte pode contribuir como instrumento de denúncia e conscientização a cerca desta e outras questões sociais?

Adilson: Sim. A arte também é um meio de levantar questões sociais com objetivo de apoiar e ajudar a sociedade a refletir.

Arte na Cuca: Em O espectador Emancipado, Jacques Rancière afirma que “O espectador deve ser retirado da posição de observador que examina calmamente o espetáculo que lhe é oferecido. Deve ser desapossado desse controle ilusório, arrastado para o círculo mágico da ação teatral, onde trocará o privilégio de observador racional pelo ser na posse de suas energias vitais integrais”. Transpondo para as artes visuais, num mundo tomado por uma enxurrada de imagens disponibilizadas e compartilhadas nas redes sociais, como o artista pode se apropriar desses espaços não legitimados, sem que seu trabalho seja “engolido” pela hiperconectividade da vida contemporânea?

Adilson: Naturalmente o artista já possui uma visão, análise e criação de um trabalho e não deixa ser “engolido” pela hiperconectividade da vida contemporânea. O artista apenas abstrai o melhor para criar sua arte.

Acesse a galeria de imagens com alguns trabalhos da série “Passado Presente” do artista visual e fotógrafo joinvilense Adilson Santos.

Acompanhe o artista nas redes sociais: @adilsonjoin | facebook.com/adilsonsantos70

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