Jackson Luiz Amorim: O teatro e a crítica

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O crítico de teatro: Essa pessoa que muitas das vezes é tida como dono da verdade. E eis que surgem mais características: O chato. O rabugento. Aquele que não gosta de nada. Aquele que vem só pra criticar. Aquele que só fala e não faz. Ou ainda, que só gosta de determinados espetáculos. Se você está numa montagem de um espetáculo, precisa estar aberto pra receber críticas. Faz parte do ofício. Se quer só elogios? Chama a mãe que é garantido.

Quando se faz teatro, precisamos saber dialogar sobre esse ofício. E saber dialogar, é construir um horizonte de possibilidades onde aquilo que sabemos não nos basta, nosso talento não nos basta, e somente a prática também não nos basta. Quando montamos ou apresentamos um espetáculo de teatro, estamos sujeitos a ser avaliados. Isso é necessário e essencial. Porém, ainda precisamos compreender a real necessidade da crítica. Chamar o crítico de “chato” é ser reducionista e não resolve muita coisa. É como assinar nosso estado de incompetência, pois não sabemos dialogar os vários prismas que o crítico está propondo. Prefiro os chatos a os incompetentes, pois os chatos são criteriosos, e querem mais que tudo a qualidade artística naquilo que se apresenta. Talvez os melhores professores sejam de fato os CHATOS, os críticos, os que questionam. Pois para eles, aquilo que sabem nunca é o bastante. Sim, esses criteriosos que vão além, esses CHATOS maravilhosos com suas exigências e que esperam de nós artistas, o máximo de respeito, pois exigem de nós o pensamento, a criação e recriação constante sobre esse ofício. Um ofício que respeita o público e não o subestima.

Ás vezes o artista está tão apaixonado pela sua criação e pelo seu espetáculo que acaba levando a crítica sempre para o lado pessoal. A presença da crítica é importante para termos referências. Somente a prática do teatro não consegue abarcar todos os meandros dessa Arte. E por favor, não venha com aquela justificativa reducionista: “quem fala precisa fazer melhor” pois não resolve nada. Quando tenta se justificar desta forma, não se cria horizontes de possibilidades e nem de reflexões. Um médico não precisa ficar com a doença de um paciente para saber que remédio irá receitá-lo; Nem sempre um Professor de canto será um exímio cantor e vice-versa. Porém o crítico é um termômetro. É alguém que possui experiência tanto na parte teórica quanto prática e sabe por onde talvez se deva caminhar e questionar. Um crítico é um universo de possibilidades. Hoje o espetáculo pode ter acontecido fantasticamente, amanhã pode não acontecer… Faz parte… porém, mesmo que não aconteça da forma que os artistas queriam que acontecesse, existe um plano de composição com o mínimo de qualidade.

E esse mínimo de qualidade também é percebido pelo crítico, porém como a “problemática” fala mais alto no espetáculo, ele acaba muitas das vezes somente olhando pra essa problemática, o que é normal. Acredito que existem parâmetros na Arte, e não só parâmetro, como também referências, bibliografias, grupos e companhias de teatro que vem pesquisando e se atualizando sobre esse ofício. Afinal de contas talento e vontade não são o suficiente. Como lidar com a crítica? Bem, isso é algo que deveríamos apreender desde cedo. Muitas vezes o artista quer na plateia um crítico para elogiar o seu trabalho. Se o crítico elogia o espetáculo – de uma hora pra outra ele já se torna o amigo mais íntimo e a melhor pessoa do mundo e mestre na crítica… Então os artistas ficam supercontentes… Por outro lado, se a crítica não foi positiva, os artistas torcem o nariz, se tornam agressivos, levam para o lado pessoal rotulando o crítico de chato, criador de parâmetros, presunçoso, aquele que não gosta de nada e o egocêntrico… a tal frase” ele não entende nada de expressão artística, é um mal amado” ou ainda “Por que ele não faz melhor?”. Bem, uma crítica não é um atestado de óbito… se bem que em alguns casos deveria ser. hehehe (risos). É apenas uma análise, um olhar, um prisma. Desejo que existam muito mais críticos e espectadores exigentes, e que façam o artista enxergar além de seus próprios olhos, pois muitas das vezes o artista se torna cego diante daquilo que cria e acha tudo lindo e maravilhoso. Acorda Alice!!!! Acorda…

Por: Jackson Luiz Amorim.

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