Musical “Eusébio Ramirez” circula e põe o ativismo LGBTQ+ em debate

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Fotografia de Jéssica Michels

Numa produção que se estende além das fronteiras entre Brasil e Argentina, o ator Marlon Zé dá início neste final de semana à circulação local do musical “Eusébio Ramirez – Um ensaio sobre penas e alegrias”. A estreia acontece na sexta-feira, 22 de junho, na AMORABI, e prevê mais quatro apresentações com entrada gratuita graças ao financiamento do Fundo Municipal de Desenvolvoimento pela Cultura (SIMDEC).

Neste espetáculo musical baseado na obra de Mariano Moro, Marlon Zé encarna o próprio personagem-título do monólogo, o transformista argentino Eusébio Ramirez. Desde a intimidade do seu camarim, no espírito dos shows de travestis das décadas de 70 e 80, o público acompanha os preparativos de Ramirez para entrar em cena. Enquanto costura o figurino e repassa as músicas que apresentará, o artista desfia memórias e sentimentos que oscilam entre o lirismo e a acidez.

Em cena, Marlon Zé é acompanhado pelo músico Fábio Cabelo e auxiliado pela técnica de Samira Sinara e Jackson Silva. Após cada uma das apresentações, o roteiro de circulação propõe um bate-papo entre os espectadores e a fotógrafa Jéssica Michels sobre ativismo LGBTQ+. O ator falou ao Arte na Cuca sobre os bastidores do espetáculo e sobre os seus novos projetos.

 

Você está morando em Buenos Aires há algum tempo. Faça um paralelo da cena teatral argentina com a cena brasileira.

Vejo muita diferença entre as cenas teatrais da Argentina e do Brasil, começando pelo apoio do poder público que, apesar de estarmos toda América Latina passando por uma situação extremamente difícil, a Argentina ainda apoia e reconhece a importância da arte na sociedade. Apesar de estarmos tão perto, as diferenças são muitas: nós não conhecemos muito sobre dramaturgia argentina e eles tampouco conhecem nossos dramaturgos, as produções brasileiras não chegam até lá e as de lá também não. Percebo que lá existe uma necessidade de consumir cultura, de consumir arte. Todos os teatros estão sempre lotados, das produções mais elaboradas e comerciais até o teatro underground. A arte em todos os cantos vive um período cíclico. Joinville possui um movimento interessante, mas que precisa chegar aonde o povo está.

 

Falando sobre “Eusébio Ramirez”, como o texto chegou até você e como foi o processo de montagem do espetáculo?

Conheci o texto através de um projeto chamado “Dramaturgia leituras em cena” do SESC, onde recebíamos um texto e montávamos uma leitura dramática. Nesta ocasião encontramos o texto “Eusébio Ramirez – Penas y alegrias de um transformista” do dramaturgo argentino Mariano Moro, que recebeu a direção do Amarildo de Almeida. Após as apresentações da leitura, resolvemos seguir com o projeto e comecei a adaptar o texto, pois ele possuía muitas referências argentinas que eu particularmente só fui conhecer quando fui morar lá há dois anos. Estreamos em 2016, agora com minha encenação e participação do músico Afonso Vieira. O espetáculo já foi apresentado em diversas cidades e agora retorna ao Brasil para esta circulação pelo edital de apoio da cidade.

 

Que tipo de questionamentos o espetáculo traz para o público?

“Eusébio” questiona o público quanto às questões de gênero e sexualidade, das relações familiares, das amizades, dos vícios e do fazer artístico.

 

Após a temporada de “Eusébio”, quando teremos um novo trabalho seu apresentado em Joinville?

Estou articulando alguns projetos com pessoas de Joinville e Buenos Aires, estou em cena em um musical argentino chamado “1808” que virá ao Brasil em agosto, mas ainda não temos confirmadas todas as cidades. Quem sabe apresentaremos em Joinville?

DATA: 22 de junho
LOCALIZAÇÃO: Associação de Moradores e Amigos do Bairo Itinga – r. dos Esportistas, 510, em Joinville

DATA: 23 de junho
LOCALIZAÇÃO: Casa Iririú – r. Guaíra, 634, no Iririú, em Joinville

DATA: 26 de junho
LOCALIZAÇÃO: Bar Pixel – r. Ministro Calógeras, 178, no Centro de Joinville

DATA: 28 de junho
LOCALIZAÇÃO: CEU Aventureiro – r. Theonesto Westrupp, s/n, esquina com Jequié, em Joinville

DATA: 29 de junho
LOCALIZAÇÃO: Galpão de Teatro da AJOTE – r. 15 de Novembro, 1383 (antiga fábrica da Antarctica), no América, em Joinville

HORÁRIO: 20 horas
CUSTO: entrada gratuita

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