Exposição online marca os 50 anos da Escolinha de Artes Infantis Fritz Alt

Clique abaixo para ouvir a postagem

Os alunos, arte-educadores e a coordenadora da Escolinha de Artes Infantis Fritz Alt, Solange Simas, têm a imensa satisfação de convidar a comunidade, bem como, os pais e responsáveis, para a exposição “Joinville e seus Artistas”, projeto inspirado em artistas joinvilenses contemporâneos residentes e atuantes na cidade. A abertura será no dia 7 de dezembro às 19 horas, com transmissão pelo YouTube.

Em virtude da pandemia, causada pelo novo coronavírus, as aulas aconteceram também em formato online e os trabalhos de ateliê foram produzidos pelos alunos em suas casas. Para que a exposição da Escolinha, tradicionalmente realizada na Galeria de Arte Victor Kursancew, pudesse ser montada, foi criada a I Mostra Online da Escolinha.

Arte-Educadores da Escolinha de Artes. Ano: 2020.

Nas artes visuais, serão apresentados 320 trabalhos autorais, entre pinturas, desenhos a grafite, desenho a carvão, produção de livretos, esculturas com materiais reciclados, bordados e colagens. A produção e organização contam com a participação dos arte-educadores: Andréia Schmitz Vicente, Daniele Rieper e Juliana Georg Bender.

No teatro, os educadores Amarildo de Almeida, Juciara do Nascimento e Robson Benta trabalharam com os alunos o tema: “Um passeio pelo universo do teatro”. Neste projeto, a máscara teatral, o teatro de formas animadas, personagens teatrais, sombras e jogos dramáticos foram alguns dos destaques. O processo de criação e as pesquisas desenvolvidas durante o ano serão apresentadas por meio de fotos e registros durante a mostra online.

Este ano a Escolinha de Arte completou meio século de existência e nestes cinquenta anos de trabalho, sensibilizou e formou crianças e jovens. Por ela, passaram artistas, professores, educadores, produtores culturais etc. Pensando nisso, preparamos um breve histórico sobre o início deste projeto, sempre percorrido com amor e alegria de quem ama o que faz.


Escolinha de Artes Infantis Fritz Alt (EAI): primeiros passos.

A primeira sede

Em seus primórdios, a Escolinha  ocupou  uma sala  no prédio da antiga Prefeitura de Joinville, que ficava localizada na Rua Padre Carlos. Em 1971, foi instalada numa sala no Departamento de Educação e Cultura, sediado no antigo prédio dos Correios e Telégrafos, na Praça Nereu Ramos. Com a construção da Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior, em 1972, a Escolinha ganhou um novo lar e sede própria.

A primeira educadora

Apenas dois anos depois  da criação da Escola de Artes Fritz Alt, a artista, educadora e produtora cultural Albertina Ferraz Tuma idealiza o que seria o desdobramento da escola voltada ao ensino não formal de arte para adultos.

Inspirada pelas experiências adquiridas durante um curso de Arte-Educação no Museu e Escola de Arte do Paraná (Curitiba/PR), nasce em 1970 a Escolinha de Artes Infantis Fritz Alt, destinada a atender crianças de 4 a 12 anos. Albertina foi a primeira educadora e assumiu tempos depois a direção da escola.

A primeira turma

Ariane Krelling. Ano: 1972.

A artista visual e também arte-educadora Ariane Krelling, aos 9 anos, ingressou na primeira turma da Escolinha de Artes Infantis Fritz Alt. Ela recorda, que desde pequena, já demonstrava interesse pela arte e foi a mãe quem a incentivou para entrar nas aulas: “Minha mãe soube da inauguração da Casa da Cultura de Joinville em 1972 e me inscreveu imediatamente na Escolinha de Artes de Albertina Ferraz”.

As lembranças do espaço físico e das atividades expressivas continuam sendo motivo de muito entusiasmo para ela, comenta Ariane:  “usávamos avental verde com bolso na frente, amarrado nas laterais. As mesas eram compridas e com vários alunos de 7 a 8 anos. Fazíamos trabalhos com pintura em isopor, guache, aquarela, desenho cego com nanquim, anilina, cerâmica usando argila, móbiles de Palitos de picolé. Cada dia era uma aula diferente, criativa e empolgante, pirogravura, papel machê e outras técnicas. Os trabalhos eram expostos para apreciação de todos”, conclui
Ariane Krelling.

Para homenagear alunos, educadores e diretoria da Escolinha de Artes Infantis Fritz Alt por meio século de existência, formação e história, a servidora pública e arte-educadora da EAI Juliana Bender agracia a todos com uma crônica de sua autoria:


Meu encontro com as Escolinhas de Arte do Brasil

Juliana Georg Bender

Minha primeira lembrança quando penso em “Escolinha de artes” é de um sábado chuvoso, nos idos anos de 1970. Meu pai me levou até a Casa da Cultura de Joinville para participar do evento anual do Dia das Crianças. Segundo a propaganda no rádio, haveria um atelier de pintura com guache sobre papel feito no chão da Rua das Palmeiras. Nesta ocasião, fiquei muito frustrada, pois cancelaram a atividade por motivo de chuva. Voltei para casa pensando no quanto teria sido divertido pintar com tantas crianças na cidade.

Anos mais tarde, morando em Ijuí/RS ingressei na Unijuí para cursar Licenciatura em Educação Artística com habilitação em artes plásticas. Através das diferentes disciplinas, descobri a história e as raízes do pensamento da arteeducação no Brasil. E, como Augusto Rodrigues, artista e arte-educador, andou por todo Brasil (inclusive Ijuí/RS), difundindo as ideias de Herbert Read, John Dewey e Viktor Lowenfeld, criando aqui e acolá as Escolinhas de arte do Brasil. Conheci o trabalho de Ana Mae Barbosa e os seus estudos da DBAE (Reforma da educação em artes nos EUA nos anos 80), que mais tarde influenciaram a construção dos nossos primeiros PCNs-Parâmetros Curriculares Nacionais (1995).

Quando, em abril de 2015, entrei como professora na Escolinha de Artes Infantis Fritz Alt, em Joinville, me senti muito feliz pela oportunidade e também fui muito bem recebida por toda equipe da Casa da Cultura. Eu recém havia feito o concurso da prefeitura, em 2014, e pela falta de professores logo fui chamada.

Desde lá, já se passaram quase seis anos trabalhando na Escolinha com crianças de 6 a 12 anos. É um privilégio fazer parte desta equipe que hoje conta com três professores de atelier e três de teatro e fazer parte desse momento histórico dos 50 anos da escola, completados em 2020. Para mim é um grande desafio manter acesa essa chama que incendeia a alma das crianças: a criação.

Que a partir dos seus repertórios analógicos venham a despertar para emoção da produção e apreciação da arte, para representar e recriar o mundo dentro e fora do atelier.
Que as atividades sejam significativas para suas vidas.
Que a alegria ou a tristeza possam ser compartilhadas e encontrem um lugar de afeto e expressividade no uso dos materiais disponíveis.
Que seja um espaço coletivo para perguntas e que as respostas sejam múltiplas e possíveis, ditas sem medo de serem classificadas de certas ou erradas. 
Que a dialética no espaço do atelier some as dificuldades e as habilidades de cada um para serem distribuídas nos grupos como experiência e representação.
Que estas vivências despertem o respeito pela alteridade e construção das identidades, pelo pensar e fazer arte juntos e a partir do outro.

Nossa missão, creio, deve ser preparar um espaço onde as atividades deixem as crianças felizes e curiosas. Onde elas participem ativamente da fruição, do conhecimento da história da arte, compreendam princípios da estética e do fazer artístico.

E não há nada de novidade nisso: deixem que as crianças se expressem do seu jeito, pois elas darão a sua melhor resposta.

Colaboraram para este texto:

Ariane Krelling
Daniele Rieper
Juliana Georg Bender
Juliana Rossi Gonçalves

Referência Bibliográfica

GONÇALVES, Juliana Rossi; COSTA RODRIGUES, Maria Lúcia. Cultura de Paz na Escolinha de Artes: diálogos necessários. 2019. Disponível em: https://www.revistas.udesc.br/index.php/nupeart/article/view/15270/0. Acesso em: 05 dez. 2020.

Recommended Posts

6 Comments

  1. Giane Maria de Souza

    Excelente matéria. Parabéns aos profissionais que atuam na Escola de Artes Fritz Alt. Trabalho de excelência que gerou e gera muitos artistas.

  2. Avatar

    Feliz em saber da continuidade, afinal, eu participei na produção dos vídeos dos 30 anos e dos 40 anos, edição em participei da montagem da exposição. Parabéns aos educadores, parabéns às crianças que por ali passaram!

  3. Avatar

    Muita gratidão em fazer parte desta história e desta equipe!
    Vamos sim, dar continuidade à este patrimônio que temos, não só aqui, mas em todo Brasil.
    Feliz 50 anos da Escolinha de Artes Infantis! Que perpetue!
    Obrigada pela matéria, ficou linda!

  4. Avatar

    Muito feliz em saber das comemorações dos 50 anos da Escolinha de Artes de Joinville.
    Nós da Escolinha de Arte do Brasil
    parabenizamos a todos! Vida longa para a Escolinha de Arte de Joinville!

  5. Avatar

    Neste ano tão difícil para todos tivemos a felicidade de reencontrar a “mãe” de todas as Escolinhas no Brasil: a Escolinha de Arte do Brasil/RJ e estreitar laços com a irmã mais velha no estado: Escolinha de Arte de Florianópolis. São nossas raízes sendo reconhecidas e trazidas para nos contar também sua história. Obrigada a Arte na cuca por expor tão bela história na cidade de Joinville. Que este espaço seja para crescermos juntos no diálogo da arte no Brasil.

  6. Avatar

    Parabéns à Escolinha de Artes Infantis!!!
    Parabéns à Arte na Cuca pela divulgação dessa exposição que comemora uma data tão especial!!


Adicionar comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *