“Rimas do Ghetto” batalhas de Rap agitam o Parque da Cidade

Por Celiane Neitsch

Sabe aqueles eventos culturais que você nunca fica sabendo, porque está presa na bolha dos mesmos espaços culturais, mesmas pessoas e mesmos artistas de sempre? Pois é! O ano de 2022 começou com muitos desafios, mas também algumas oportunidades e uma delas foi poder escutar a seguinte frase de um produtor cultural (com trabalhos reconhecidos e carreira consolidada): “Eu quero saber onde é que estão os jovens!”. E a reposta/pergunta, que pensei mas não respondi: “Eu não sei!”. “Onde estão os jovens??”.

Os jovens estão nas redes, nas festas, nas ruas, no Instagram. Sim, foi por meio do perfil de uma pessoa pública e vereadora na cidade de Joinville/SC, que descobri o projeto “Rimas do Ghetto”. Pra você que tem a sorte de uma vida tranquila, sem “os corre” de quem vive na periferia, talvez nem saiba do que estou falando, mas calma, eu te explico.

O “Rimas do Ghetto” é um evento de produção e difusão cultural feito “na raça”, que infelizmente ainda não acessou leis de incentivo à cultura como o Simdec (Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura – Joinville), porque talvez, na percepção daqueles que se julgam “notáveis”, a cultura produzida na periferia, ainda não subiu aos status social, digno do reconhecimento (e quando será?) de nossos “renomados” artistas, produtores e avaliadores culturais.
Apesar da indiferença coletiva pela cultura produzida na e pela periferia, o trabalho desenvolvido pelos produtores culturais Mazinho, Rafa, Zelize, Elis e Carlos, segue firme e forte, todas as quartas-feiras, 20h30 no Parque da Cidade, bairro Boa Vista e conta com apoiadores como Nardes Barber Shop, Sister Conveniência, Ventania, e Nakamura, que são revertidos em premiações aos MC’s vencedores das batalhas de rimas.

Ao microfone o produtor cultural “Mazinho”, agitando a plateia.




Para falar a respeito do projeto, convidei o produtor cultural Mazinho, que nos apresenta desde a concepção da ideia, apoiadores, músicas, cultura das ruas e representatividade.

Celiane: Como surgiu a ideia para o “Rimas do Ghetto”?
Mazinho: Eu (mazinho) idealizei o projeto a cerca de 6 meses, onde gostaria de fazer algo diferente. Algo que envolvesse o marketing, mas ao mesmo tempo fosse underground, algo rua, que desse espaço para as minorias. A 3 meses atrás selecionei meus melhores colaboradores e resolvemos finalizar o projeto, onde cada um desempenha sua melhor função.

Celiane: Quem produz o “Rimas do Ghetto”?
Mazinho: O Rimas do Ghetto é organizado por 5 colaboradores. Eu, Mazinho, que já tenho experiência e procuro direcionar os outros desempenhando o papel de um líder e apresentando o evento. A Rafa, nossa designer gráfica e também idealista e ativista social, sempre lutando pelas minorias. Zelize, que desempenha a função de relações humanas, lidando com mc’s, captando novas ideias, e sempre buscando maneiras de evoluirmos. E também luta muito pelo crescimento das mulheres na cena do Rap. Contamos também com o apoio da Elis, videomaker do evento, filma todas as batalhas para serem postadas no canal e o Karlos, conselheiro da RDG, Sempre dando ideias para melhorarmos o projeto.

Celiane: Onde é realizado o encontro da batalha de rimas? Destaque alguns nomes que já passaram pelas edições do projeto.
Mazinho: O RDG (abreviação para “Rimas do Ghetto”), ocorre toda quarta feira as 20:30 no Parque da Cidade.
Temos como destaques do projeto os Mc’s: Dmartins, que é o maior campeão. Mineiro, um mc que está a tempo na cena mas mantém o alto rendimento. E Sangue Bom, um mc que está no rap desde 2013 e nunca baixou o nível, mc que já se tornou um dos melhores de Santa Catarina em vários anos.

Celiane: Quantas edições estão previstas para o “Rimas do Ghetto”?
Mazinho: Queremos fazer muitas edições! Não temos um limite. O máximo que pudermos expandir, queremos! Trazer mcs reconhecidos de outros estados para cá, e levarmos nossos talentos para todo o Brasil!

Celiane: Para quem não está inserido, mas tem interesse em conhecer a respeito da cultura Hip Hop e Rap Joinvilense, você pode nos indicar alguns representantes?
Mazinho: Temos vários nomes, Amazona MC, organizadora da Central Das Rimas e uma artista e representante feminina muito importante na cena. Um exemplo de competência e credibilidade, também temos Ukah VO, dono da única loja de hip hop da cidade (Brixton Hip Hop Raro), e não poderia deixar de citar o Cian Beats, um cara que está a tempos no cenário também, e desde o começo apoiou muito a cena joinvilense.

Celiane: Você se considera um representante da cultura da periferia de Joinville? Pode contar um pouco sobre a tua trajetória?
Mazinho: Isso é algo que eu não posso responder, não sou eu que decido se sou representante, a rua escolhe quem ela quer que a represente! Eu só faço o que está a meu alcance, para elevar Santa Catarina ao mais alto nível.
Referente a minha trajetória, eu faço música desde meus 8 anos, com 15 comecei a batalhar, e na mesma época fui pra São Paulo trabalhar com isso, onde ganhei a Resenha Central (segunda maior batalha de São Paulo) batalhei na Batalha da Aldeia (maior batalha do Brasil) batalhei no viaduto Santa Tereza, que é o palco do duelo nacional (sonho de todo mc de batalha) e em 2019, me tornei um dos 16 melhores mc’s de Santa Catarina. Hoje estou “aposentado”, focado em organizar e elevar o projeto RDG a outro patamar.

Celiane: Como você percebe a visibilidade da cultura Hip Hop na cidade de Joinville, falta apoio?
Mazinho: Falta apoio dos responsáveis pela promoção da cultura na cidade, percebo isso também na própria comunidade em si. É aquele olhar sempre para o próprio umbigo.

Quando? Sempre as quartas-feiras. Horário? 20h30.
Quanto? Entrada Gratuita.
Onde? No Parque da Cidade. Bairro Boa Vista. Joinville/SC.
Acompanhe o vídeo do evento e o canal no YouTube.




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2 Comments

  1. Excelente texto sobre o Rima do Ghetto! Bom saber que a periferia de Joinville está na luta por um espaço cultural e pelo reconhecimento. Salve a cultura hip Hop e que tenhamos urgentemente uma modalidade da cultura hip Hop no Simdec! Estamos juntos!

  2. Obrigada pelo apoio de sempre, cara Giane!


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