Doses de história: Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville

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Foto da capa: Luciano Itaqui.

Segundo o site da Prefeitura Municipal de Joinville (2021), o Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville é “uma unidade do(a) Secretaria de Cultura e Turismo – SECULT, […]responsável por atuar na preservação do patrimônio arqueológico brasileiro e na produção de conhecimento sobre povos construtores de sambaquis, que viveram na região há mais de 5 mil anos. Seu acervo possui cerca de 45 mil artefatos que evidenciam a cultura e o estilo de vida do povo sambaquiano.

Diferente do Museu Casa Fritz Alt, Museu de Arte de Joinville e Museu Nacional de Imigração e Colonização, espaços em que suas edificações foram construídas para servir de moradia à personalidades da cidade, o Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville, foi construído com o propósito de tornar-se museu.

Em seu artigo, Souza (2016, p. 159) afirma que o MASJ é a única unidade criada com fins museológicos:
“Efetivamente, o Museu Arqueológico de Sambaqui foi a única unidade criada para ser museu. Com a construção da sede própria, em 1972, o museu passou a atuar na preservação do patrimônio arqueológico do município, função reforçada pela Lei Orgânica Municipal de 1990. As ações do MASJ são acompanhadas pelo crescimento dos acervos em decorrência de doações particulares, pesquisas e a localização de novos sítios arqueológicos. Algumas coleções estão sob a guarda do museu até mesmo por meio de endosso”.

No ano de 1963 a Prefeitura Municipal de Joinville/SC, comprou a coleção arqueológica de Guilherme Tiburtius, um estudioso de sambaquis que registrou, coletou e classificou diversos artefatos e sepultamentos de sítios que estavam sendo destruídos na região. “A herança cultural deixada por Guilherme Tiburtius é inestimável. Mesmo sem formação acadêmica em Arqueologia, Tiburtius foi um grande estudioso, além de reunir e organizar materiais provenientes dos sambaquis, entre os anos de 1940 a 1960, período em que estes sítios arqueológicos ainda não contavam com proteção de lei. Seus registros em fichas e desenhos são preciosos ainda hoje para as pesquisas sobre sambaquis. A importância de Tiburtius para o Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville é relevante, pois foi a coleção organizada por ele que deu início ao acervo do MASJ”, (Blog MASJ, 2021).

Pensando na salvaguarda deste patrimônio arqueológico, anos mais tarde, nasce oficialmente o MASJ, criado pela lei municipal nº 1042 em 1969. Mas, o prédio que abriga o museu só seria inaugurado em 1972, com seu projeto arquitetônico e construção realizados em cooperação técnica com o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional (IPHAN).

Desde os primeiros anos de atuação o museu é referência no que diz respeito a pesquisa, salvaguarda e educação patrimonial. A professora doutora Elizabete Tamanini (2003, p. 82) descreve a respeito da participação do museu em ações que envolvem diferentes grupos e a comunidade, “O MASj desde sua fundação, tem desenvolvido programas didáticos que abrangem estudantes de 1º e 2º graus, universitários e estudantes de cursos profissionalizantes. O auditório, equipado com moderna aparelhagem, tem servido para ministrar aulas sobre Arqueologia e Pré-História Brasileira, bem como para programações cinematográficas culturais, realizadas principalmente com o intuito de atingir positivamente as crianças, despertando nelas o gosto pelos Museus […]”.

Um dos destaques do setor educativo do MASJ, ocorreu logo nos primeiros anos com a criação do primeiro Kit Educativo, maleta com acervos arqueológicos que circulava pelas escolas. Após consolidado, recebeu do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural Nacional (Iphan) o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, em 2007. O Projeto de Atendimento Educativo 2º, 3º e 4º Ciclos visava sistematizar, discutir e apresentar questões relacionadas ao modo de se utilizar o museu enquanto espaço de educação e produção de conhecimento científico. “[…] Nesse projeto, os trabalhos se iniciam com os alunos do 2º ciclo (3ª série) que discutem os conceitos de alimentação e moradia. As atividades prosseguem no 3º ciclo (5ª série) contemplando a tecnologia e suas relações e encerram-se no 4º ciclo (7ª série) tratando-se do fenômeno da diversidade cultural presente no cotidiano”. (Web, 2021).

Algumas ações educativas e de difusão cultural realizadas pelo MASJ

Exposição Itinerante
Em 1998 o museu iniciou o processo de elaboração de uma exposição itinerante, que segundo Machado e Souza (s.d, p. 277) “O projeto tinha por objetivo facilitar a aproximação do público às práticas da arqueologia e à compreensão da importância do patrimônio arqueológico. […] Também, pretendia estimular o conhecimento crítico sobre os diferentes processos da ocupação humana, a partir da discussão da importância da preservação do patrimônio material e imaterial. E, finalmente, adequar a exposição aos portadores de deficiências visual e motora”.

Imagem retiradas do Blog da escola.

Canal EducativoApresentação

Canal do MASJ no YouTube

Livro
Em 2010 o museu realizou o projeto “Joinville: primeiros habitantes” é um dos resultados do projeto Geoprocessamento Aplicado à Preservação dos Sambaquis de Joinville (SC), executado pelo Museu de Sambaqui com recursos do Governo Federal e Prefeitura de Joinville por intermédio da extinta Fundação Cultural.
O projeto atualizou as informações geográficas sobre os sítios arqueológicos da região e integrou-as em um banco de dados , instalou placas informativas em todos os sambaquis do município e adquiriu equipamentos que aumentaram o aparelhamento do MASJ, como uma estação total para levantamentos topográficos, um GPS de alta precisão, um barco para acessar os sítios arqueológicos da Baía da Babitonga, estereoscópios (equipamento para ver fotografias aéreas em três dimensões), um computador e cerca de 30 livros para a biblioteca do Museu.

Capa do livro “Joinville – Primeiros Habitantes”

Filme
“A ideia do documentário surgiu a partir de uma visita da nossa equipe ao Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville. Começamos a questionar se sabíamos o que eram os sambaquis, quem era esse povo e não sabíamos ao certo”, conta o cineasta e produtor do documentário, Juliano Luerdes. Leia mais a respeito do documentário clicando AQUI.

Documentário “Sambaqui – Sociedade Redescoberta”

Acervo em 3D
Pensando na conservação e desgaste dos artefatos emprestados as escolas, em 2018 o museu iniciou a reprodução das peças por meio da impressão 3D. O projeto foi contemplado pelo edital do Sistema Municipal de desenvolvimento pela Cultura (Simdec) e teve início a partir da pesquisadora Fernanda Borba, que doou ao museu as réplicas feitas a partir de fotografias em alta resolução e projeções das peças.

Reportagem do SBT Meio Dia.


O Museu durante a pandemia COVID-19

Em virtude da pandemia, o MASJ está fechado para visitação, mas continua realizando atendimentos virtuais a escolas e pesquisadores, sempre com agendamento prévio. Ainda no mês de maio, o museu inaugura uma nova exposição ao ar livre.

Contato do MASJ: (47) 3433-0114. Endereço: Estr, R. Dona Francisca, 600 – Centro, Joinville – SC.
Horário de Funcionamento: Terça à domingo. 10h às 16h.

Referências Bibliográficas

Site PMJ. Acesso em > 04/05/21 https://www.joinville.sc.gov.br/institucional/secult/upm/mas/
SOUZA. Giane Maria. Museus, espaços de memórias e coleções: diálogos e interfaces. Acesso em > 04/05/21.
Blog Museu de Sambaqui de Joinville. Acesso em > 04/05/21 http://museusambaqui.blogspot.com/p/historia.html
Blog Escola de Ensino Fundamental Padre Bruno Linden. Acesso em > 04/05/21. http://escolabrunolinden.blogspot.com/2014/07/kit-didatico-do-museu-arqueologico-do_7.html
Jornal O Mirante. Acesso em > 03/05/21 https://omirantejoinville.com.br/2017/10/16/museu-do-sambaqui-comemora-45-anos-com-musica-e-conversa-sobre-patrimonio/
TAMANINI, Elizabete. Museu e Educação: Reflexões acerca da experiência no Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville. Acesso em > 03/05/21
https://www.researchgate.net/publication/26479283_Museu_e_Educacao_Reflexoes_acerca_da_experiencia_no_Museu_Arqueologico_de_Sambaqui_de_Joinville
Portal Joinville. Acesso em > 02/05/21 https://portaljoinville.com.br/conteudo/museu-de-sambaqui-apresenta-documentario-sobre-povos-sambaquianos/
Site Fundação Catarinense de Cultura. Acesso em > 02/05/21 https://cultura.sc.gov.br/noticias/8975-8975-joinville-primeiros-habitantes
MACHADO, Gerson. SOUZA, Flávia Cristina Antunes. Exposição itinerante “Afinal, o que é Arqueologia?”: Experimentando a inclusão social. Acesso em > 02/05/21.

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