“Acanhado – Teatro em Joinville durante a ditadura militar”

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Foto: Jéssica Michels.

Será que houve ações de coação, perseguição e violência contra artistas em Joinville/SC, durante a Ditadura Militar? Há quem diga que não, mas o livro “Acanhado – Teatro em Joinville durante a ditadura militar”, lança luz à questão.
Escrito à partir de entrevistas realizadas pela escritora e jornalista joinvilense Tuane Roldão, o livro é uma publicação de 2014,realizada com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Joinville e Fundação Cultural, por meio do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura- SIMDEC, edição 2013.

Confesso que recebi o livro em mãos e li rapidamente, afinal o tema me interessa em particular. Terminei a leitura impactada e emocionada, pois na obra, li, conheci e reconheci relatos de artistas do teatro que eu conheço na vida real, porém, algumas dessas histórias eu só conhecia da literatura e das telenovelas e séries que tratam do período da ditadura militar no país. Foi cruel pensar que essas histórias aconteceram de verdade, com pessoas que conheço de verdade.

A obra possui texto com linguagem fluida, além de belas imagens produzidas por Carolinne Sagaz, Jéssica Michels e a própria Tuane Roldão. Dividido em três capítulos, conta com 131 páginas e, na minha opinião, é leitura obrigatória para professores, jornalistas, estudantes de história e aqueles que acompanham a história dos acontecimentos políticos e culturais no período da ditadura militar, especialmente em Joinville.

Em verdade, ouso mesmo dizer, que o livro é de leitura obrigatória também -e talvez, principalmente-, para os leitores que ainda hoje, insistem em afirmar que nunca houve Ditadura Militar em nosso país, e que “as intervenções foram um pedido da população, para resguardar o país dos atos de violência cometidos (apenas) por militantes e artistas que queriam entregar o país aos comunistas”.

Tuane conseguiu em sua escrita, relatar histórias reais sem, no entanto, “perder a medida”. O livro é muito bem escrito e merece a leitura atenta e despida de preconceitos.

Por que ler?
Porque a obra conta parte importante (e quase esquecida) da história de Joinville e da história do teatro em Joinville.
E porque as entrevistas são emocionantes e talvez você, que mora ou conhece a cidade, identifique alguns cenários e mesmo alguns “personagens” como Edgard e Lucia Schatzmann, Hélio Muniz, Cristóvão Petry, Borges de Garuva e Maikon Duarte.

Se você quiser ler a obra -e eu realmente desejo que você queira- pode encontra-la para empréstimo nas Bibliotecas Públicas de Joinville, para aquisição na Livraria O Sebo, ou diretamente com a escritora nas redes sociais Tuane Roldão e @tuaaneroldão.

Desejo aos corajosos leitores uma boa viagem ao passado para que, conhecendo a história, não permitamos que ela se repita.

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