Livro infantil Coração Guarani propõe conscientização a respeito da cultura indígena

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A professora e escritora Marlete Cardoso é uma daquelas pessoas que vive o que escreve e sabe muito bem expressar tudo isso, prova disso é o livro Coração guarani – Lenda indígena sobre a criação dos animais, com ilustrações de Maria Lúcia Rodrigues e publicado em 2016 pela Editora Areia. Ao contrário de muitas produções literárias onde a representação do indígena aparece em meio a florestas e em contato com os animais, Marlete recontextualiza esta figura e a traz para perto das crianças, nos auxiliando a desconstruir certos estereótipos sobre esses povos.

O livro nos faz refletir a respeito do quanto aquilo que fazemos ou falamos tem referência na cultura indígena, o que podemos aprender com os índios para viver em harmonia com a natureza e qual o lugar destes povos na sociedade. São temas importantes para serem debatidos na escola ou em setores educativos, mas fica a dúvida: como nós, educadores, podemos desenvolver propostas inclusivas acerca da cultura indígena? É preciso estar preparado para que cada vez mais nosso público (alunos ou visitantes de espaços de cultura) compreendam que quando perguntamos o que é um índio eles não respondam “são alienígenas azuis” (palavras de uma menina de 4 anos) ou então “são mendigos” (segundo um aluno da 3ª série), mas que a a resposta seja coerente: são pessoas.

Não podemos esperar sempre pelo dia 21 de abril para falar dessa etnia tão importante e que a duras penas contribuiu para a constituição da população brasileira. Coração guarani levanta questões a respeito da marginalização do indígena, da transformação e da descaracterização da sua cultura e dos seus costumes ao mesmo tempo em que tentam resistir bravamente se agarrando à oralidade de suas lendas e histórias.

A partir da escrita de Marlete Cardoso, é possível desenvolver atividades em Língua Portuguesa, Artes Visuais, Artesanato, História, Biologia, Arquitetura e tantas outras disciplinas quanto a imaginação permitir, sendo o livro um fio condutor para que o educador aborde outros assuntos e apresente possibilidades de atividade aos alunos. Em arte pode-se fazer relações com outros artistas que trabalharam temas indígenas em suas obras – como, por exemplo, Tarsila do Amaral em seu Abaporu (1928) – ou até mesmo trazer as próprias ilustrações do livro como foco, levantando questões sobre técnica e autoria.

É possível propor desdobramentos para estudos em aquarela e trabalhar as lendas indígenas para que ao fim da pesquisa possam ser transformadas em livro e servir de material didático. As folhas em que as lendas serão escritas para dar forma ao livro podem ser produzidas com papel reciclado e, assim, o educador pode falar a respeito da reciclagem e do cuidado com a natureza e os animais.

Não se pode tentar mudar a situação e promover o respeito e a empatia sem educação e cultura, e esse passo foi dado por Marlete Cardoso que, com sensibilidade e respeito, produziu uma história para ser contada a um número cada vez maior de crianças e que essas contem aos seus pais, tios, tias, primos e amigos numa espécie de corrente de amor, paz e esperança por um mundo melhor. Todos podemos fazer parte disso.

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3 Comments

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    Cara Celiane! Muito obrigada por debruçar-se sobre esse livro a fim de instigar outros olhares e propor atividades. Os Povos Originários merecem nosso respeito em qualquer espaço que frequentem. Grande abraço e que Nhanderu, o Grande Espírito, ilumine nossas consciências!

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    O dia chamado “dia do índio” é 19 de abril

  3. Avatar

    Obrigada, Celiane!

    Sua análise é muito importante pois além de valorizar a obra toda, ainda dá ideias de atividades a serem desenvolvidas e trás mais luz ao tema da cultura indígena.

    Gratidão pelo olhar criterioso!


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