Projeto “Caos da manhã” de Ricardo Ledoux oferece shows musicais e oficinas gratuitas

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O músico, compositor a artista visual Ricardo Ledoux dá início nesta semana a uma série de atividades relacionadas ao espetáculo “Caos da manhã” em diferentes espaços culturais de Joinville. Além dos seis shows acompanhado de Marcos Archetti (baixo) e Lucas Baumer (bateria), o roteiro de circulação do projeto inclui oficinas de composição e elaboração de canções e oficinas de prática musical. Patrocinadas pelo Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (SIMDEC) e tendo o SESC como parceiro, todas as ações de “Caos da manhã” são gratuitas.

Fotos: Dani Rieper

O roteiro de atividades de “Caos da manhã” começa já na quarta-feira, 4 de julho, quando Ledoux ministra a primeira das três oficinas de composição chamadas “Música para se fazer hoje” na Associação de Amigos e Moradores do Bairro Itinga. Nas semanas seguintes, a mesma oficina se repete na Escola de Educação Básica João Colin e no Galpão da Associação Joinvilense de Teatro (AJOTE). As oficinas de prática de conjunto em parceria com Marcos Archetti acontecem a partir do dia 13 de julho no auditório da Casa da Cultura, depois na Casa Iririú e no SESC Joinville. As inscrições para as oficinas têm vagas limitadas e devem ser feitas por e-mail ou telefone.

A primeira das apresentações musicais gratuitas de “Caos da manhã” está marcada para a noite de 11 de julho, quarta-feira, também na Escola de Educação Básica João Colin e sua programação completa se estende para outros cinco espaços culturais da cidade até o dia 20 de julho, com show no SESC. As canções do espetáculo baseiam-se no atrito entre as tantas provocações aleatórias da cidade e do mundo contemporâneao e a ordem que a linguagem impõe à própria criação da música pelo compositor. Acompanham Ledoux neste projeto o músico argentino Marcos Archetti (baixista, arranjador e maestro da Joinville Jazz Big Band) e Lucas Baumer (baterista, produtor e professor).

Ricardo Ledoux falou com exclusividade ao Arte na Cuca a respeito do projeto “Caos da manhã”, sobre a parceria com Baumer e Archetti, sobre música contemporânea e sobre suas relações com as artes visuais.

 

Em que medida as apresentações de “Caos da manhã” que virão agora em julho se distinguem daquelas já vistas pelo público joinvilense?

Na verdade nossa última apresentação com este projeto ocorreu em 2016.
No ano passado fiz apresentações do projeto que era originalmente com o percussionista Felipe Muller, que me acompanhou no show “A voz do trovão”. A diferença da última apresentação de 2016 do “Caos da manhã” para hoje é que terão duas ou três músicas que não estavam no repertório. Me sinto mais maduro musicalmente do que em 2016: o meu violão melhorou muito tecnicamente e minhas composições também tiveram uma mudança de foco poético em algumas dessas músicas novas, pois meu discurso está menos rebuscado e as mensagens estão mais claras e diretas, não perdendo a poesia na escrita das letras e com melodias mais interessantes.

Quais são as ideias e os temas abordados nas canções deste show? De que maneira o conceito de caos se transforma em método de criação, técnica de composição, trabalho de arranjo e execução?

Os temas abordados são o concreto que se funde à poesia dos carros congestionados, à piração de qualquer cidade grande, à vida urbana e seus transeuntes, aos relacionamentos amorosos, às falhas humanas e frustrações, à relativização da arte – pois as pessoas sempre querem rotular algo e minha música está além desses rótulos e cascas. “Caos da manhã” foi criado todo esporadicamente e sem previsão, em contrapartida a uma urgência em dar à luz algo que traduzisse uma linguagem de compor letra, melodia e harmonia num mesmo instante sem respeitar estéticas pré-estabelecidas, sendo esse contraditório o próprio conceito de criação, a própria regra do projeto. Quando nos reunimos com o baixista Marcos Archetti em 2015, Lucas Baumer e eu já tocávamos desde o início de 2013. As músicas já tinham brotado boa parte ali e o que foi feito com a presença do Archetti foi definirmos um repertório de onze músicas e arrematamos o trabalho nas formas musicais de arranjos, velocidade do andamento e tonalidade. Isso fez com que em 2016 gravássemos um DVD ao vivo para ninguém, pois das gravações ao vivo só ficaram o som gravado com o público e perdemos o material do vídeo, fazendo posteriormente a edição e masterização apenas do material que foi gravado à tarde sem público. Desde 2012 venho compondo muito com essa técnica de juntar tudo e depois editar, agora minhas mais novas canções ainda possuem um pouco disso, mas estou reencontrando várias formas que usei no passado e criando um novo projeto pra ser lançado talvez em 2019.

Como o baixista Marcos Archetti e o baterista Lucas Baumer participam deste projeto? Até que ponto esses músicos se envolvem com a composição das canções, com os arranjos e com a produção do show?

Posso dizer que aprendo muito com esses dois músicos. Trabalhamos sempre muito pontualmente e numa dinâmica muito intensa, ensaiamos várias horas em poucos dias. Eles criam os arranjos comigo, pois quando chego com as canções, elas já possuem letra, melodia e ritmo muito definidos. Às vezes alteramos as formas, mudamos a velocidade do andamento e ficam prontas muito rapidamente, até porque o Archetti me diz que ele tem que fazer um baixo diferente, pois dependendo da música eu já crio algumas linhas de baixo no próprio violão. O envolvimento deles com o projeto é mais musical, a produção é inteiramente feita por mim. Neste ano Marcos também estará promovendo três oficinas de prática de conjunto e eu estarei dando três oficinas de composição em dias distintos.

Como você encaixaria as canções de “Caos da manhã” no cenário mais abrangente da música popular brasileira? Com quais artistas, atitudes e sonoridades ele se conecta?

As influências são diversas, pois não são só as minhas referências que prevalecem mas, sim, um trabalho em grupo. Ali percebo influências de músicos que não considero MPB e sim uma vertente peculiar da música brasileira como Lenine, Vitor Ramil, Paulinho Moska e Zeca Baleiro, depois vejo uma linguagem interna que vem talvez no tratamento da forma musical com Nirvana, Radiohead e Helmet. Daí tem quatro anos que estudo música erudita e popular na Casa da Cultura, especificamente violão e canto. Tem as influências do Lucas, que tem uma veia forte de Pain of Salvation, Muse, samba e diversos ritmos brasileiros, pois já tocou em carnaval com trio elétrico. O Marcos toca bem qualquer estilo, o cara é maestro e ele é especificamente do jazz e da música universal, já tocou na banda do Hermeto Pascoal. Enfim, a salada é caótica!

Sua assessoria refere-se a você como sendo, também, um artista visual. Fale um pouco sobre sua trajetória artística nessa área e sobre as relações que você faz entre as linguagens visual e a musical.

O cartaz que está rolando na divulgação é um desenho meu da minha cadela, a Nina se espreguiçando, juntamente com o trabalho gráfico do Jan M.O. também artista visual aqui de Joinville. Quando comecei meus primeiros solos ainda em 2011, no SESC em Chapecó, já experimentava unir de maneira audaciosa a performance musical com visual. Fiz um projeto chamado “Suave ruído sutil” onde eram três estágios do show, como o próprio nome diz: Etapa 1 Suave (com músicas suaves), Etapa 2 Ruído (com músicas unidas à performance de desenho com a guitarra) e Etapa Sutil (com canções de ninar). Eu tentei várias vezes unir música e imagem, como venho buscando desde 2007, ainda na faculdade de artes visuais, quando participei e fundei o grupo Poiéticas 4X4 com Fábio Salun, Rosa Daitx e Louise Cristina, a Da Lou. A gente sempre relacionava conceitualmente minhas produções seja na fotografia, na performance, no desenho ou na vídeo arte com questões sonoras ou industriais de Joinville, pois trabalhei em fábrica até 2006. Fiz exposições pelo projeto “Pretexto” do SESC diversas vezes (a última foi em 2016), participei da 28ª Bienal de São Paulo com uma performance coletiva de artistas daqui de Joinville. Cheguei a participar de um Salão Nacional de Itajaí e, depois de 2013, resolvi dar mais ênfase à música. Mas o que tiro de tudo que aprendi nas artes visuais é que arte é algo sem fronteiras. Acho que músico genuíno é muito careta e que ser artista vai além de tocar um instrumento, cantar ou desenhar bem. Técnica não é nada sem criatividade.

 

 

SHOWS DO PROJETO “CAOS DA MANHÔ

DIA: 11 de julho
HORÁRIO: 20 horas
LOCALIZAÇÃO: Escola de Educação Básica João Colin – r. Botafogo, 618, no Itaum, em Joinville

DIA: 13 de julho
HORÁRIO: 19h30
LOCALIZAÇÃO: Auditório da Casa da Cultura de Joinville – r. Dona Francisca, 800, no Saguaçu

DIA: 14 de julho
HORÁRIO: 20 horas
LOCALIZAÇÃO: Associação de Moradores e Amigos do Bairro Itinga (AMORABI) – r. dos Esportistas, 510, no Itinga, em Joinville

DIA: 15 de julho
HORÁRIO: 20 horas
LOCALIZAÇÃO: Espaço Cultural Casa Iririú – rua Guaíra, 634, no Iririú, em Joinville

DIA: 19 de julho
HORÁRIO: 20 horas
LOCALIZAÇÃO: Associação Joinvilense de Teatro (AJOTE) – r. 15 de novembro, 1.383, no América

DIA: 20 de julho
HORÁRIO: 20 horas
LOCALIZAÇÃO: SESC Joinville – r. Itaiópolis, 470, no América
CUSTO: entrada gratuita

 

OFICINAS DE COMPOSIÇÃO “MÚSICA PARA SE FAZER HOJE”

DIA: 4 de julho
HORÁRIO: 19 horas
LOCALIZAÇÃO: Associação de Moradores e Amigos do Bairro Itinga (AMORABI) – r. dos Esportistas, 510, no Itinga, em Joinville

DIA: 11 de julho
HORÁRIO: 15 horas
LOCALIZAÇÃO: Escola de Educação Básica João Colin – r. Botafogo, 618, no Itaum, em Joinville

DIA: 19 de julho
HORÁRIO: 14 horas
LOCALIZAÇÃO: Associação Joinvilense de Teatro (AJOTE) – r. 15 de novembro, 1.383, no América
CUSTO: inscrições gratuitas
INSCRIÇÕES: telefone (47)98813-7271 ou pelo e-mail [email protected]

 

OFICINA DE PRÁTICA DE CONJUNTO (com Marcos Archetti)

DIA: 13 de julho
HORÁRIO: 14 horas
LOCALIZAÇÃO: Auditório da Casa da Cultura de Joinville – r. Dona Francisca, 800, no Saguaçu

DIA: 15 de julho
HORÁRIO: 14 horas
LOCALIZAÇÃO: Espaço Cultural Casa Iririú – rua Guaíra, 634, no Iririú, em Joinville

DIA: 20 de julho
HORÁRIO: 14 horas
LOCALIZAÇÃO: SESC Joinville – r. Itaiópolis, 470, no América
CUSTO: inscrições gratuitas
INSCRIÇÕES: telefone (47)98813-7271 ou pelo e-mail [email protected]

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