“Dançando na rua” quer agitar o calendário da dança em Joinville

Realizado nos últimos domingos de cada mês na Rua das Palmeiras, o projeto “Dançando na rua” promove neste dia 27 de maio a sua segunda etapa. A iniciativa pretende agitar a dança joinvilense ao longo de todo o ano e mobilizar um cenário que parece ganhar visibilidade apenas em julho, durante o festival. O Arte na Cuca conversou com o bailarino, professor e produtor Jailson Cordeiro, um dos organizadores deste projeto que tem o apoio do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (SIMDEC).

Vamos começar falando sobre você. Quem é Jailson Cordeiro? Qual é a sua história?

Uma pessoa que encontrou seu propósito na arte, na cultura e na educação. Alguém que tenta mudar as pessoas usando como ferramenta a cultura e a arte, principalmente a dança. Comecei a dançar em 2008, com a dança de salão. Estudei bastante, fiz vários cursos e congressos fora de Joinville e fiz o curso de formação de professor em dança de salão. Em 2014, comecei a trabalhar na área de produção cultural. Desde aí me senti mais à vontade na área e finalizei a especialização em Gestão Cultural em 2016. Em 2015 comecei a lecionar no Colégio Elias Moreira para o curso de Jovem Aprendiz e foi quando minha vida passou a tomar um propósito com mais sentido ainda. Estar em sala de aula é uma das minhas paixões, assim como a dança. Em 2017 comecei a fazer parte da diretoria da Associação de Grupos de Dança de Joinville (Anacã) como secretário e neste ano renovei o mandato por mais dois anos. Temos uma evento magnífico, que é o “Dança Joinville”. Concomitantemente, estou finalizando a segunda especialização, que é em Neuroaprendizagem. Este ano, depois de muito tempo, consegui colocar em prática um dos sonhos mais antigos que é o “Dançando na rua”.

Qual o objetivo do “Dançando na Rua”?

Entendemos que a dança sofre um processo inverso hoje: a dança vem da rua, da cultura popular, dos anseios das pessoas. Hoje em dia, faz dança quem vai para as escolas fazer aula, para aprender o passo certo ou errado. Não condeno escolas de dança, muito pelo contrário: minha intenção é e sempre foi fomentar público às escolas, mas o “Dançando na rua” tem esse desejo de levar as pessoas a sentir o que é dança (naquilo que eu acredito), ser sua essência para todos. Além disso, queremos fazer valer o título de Cidade da Dança. Joinville tem o maior evento do mundo no gênero, mas as pessoas da cidade precisam dançar. Acreditamos que o projeto evidencia uma das maiores identificações da população com a cidade.

O projeto terá mais sete edições. Todas elas serão na Rua das Palmeiras?

Sim, todas as edições serão na Rua das Palmeiras. Escolhemos a Rua das Palmeiras como local principal, exatamente por ter um vínculo muito forte com a cidade. A identidade da cidade é intrínseca à Rua das Palmeiras e à dança.

Quem está por trás deste projeto?

A idealização foi minha. Penso nele desde 2014, mas conto com o apoio de outros dois professores que estão comigo desde o início, inclusive como proponentes junto ao SIMDEC, que são Fábio Simões (de dança de salão) e Jhon Helder (de danças urbanas). A produção cultural ficou por conta de minha empresa, a Mais Cultura Gestão Cultural. Temos também como apoiadores um designer que é o Marcelo Oliveira e uma parceria para alguns vídeos com a Dutra Filmes.

Como é a rotina de ensaios de quem trabalha com dança?

Temos vários perfis de profissionais de dança. Tem aqueles que são donos de escolas ou de grupos de dança, aqueles que lecionam em várias locais ou escolas diferentes, aqueles que não trabalham somente com dança, enfim, vários perfis. Creio que a maior dificuldade esteja na trajetória até você se tornar profissional de dança. Não existe regulamentação ideal para a área. Existe muito preconceito também com quem escolhe seguir na área, o que gera desconfiança e falta de credibilidade. Quem nunca teve de ouvir a frase, “você só trabalha com dança?”

Além do “Dançando na rua”, tens algum outro projeto, curso ou apresentações futuras para Joinville?

Tenho vários. Temos o “Dança Joinville”, que já é uma mostra consolidada, com quase dez anos de história, para quem estamos dando um novo rumo a partir deste ano. Temos também algumas ideias na gaveta, como o “Festival de danças urbanas Urban Cult”. Tenho projetos também em outras áreas além da dança, que são a “Biblioteca de muro” – que são bibliotecas abertas à população que ficam em muros de casas – e também o “Poemas em código”, que utiliza a tecnologia do QR Code para democratizar o acesso à poesia. Existem muitas outros projetos que as pessoas me procuram para dar uma ajuda ou orientação. Estou sempre aberto a conversas.

Deixe uma mensagem aos leitores do Arte na Cuca.

Quero agradecer a todos que fazem parte do Arte na Cuca e agradecer aos leitores porque tenho certeza que sem eles a ideia não existiria. Quero dizer que o trabalho com dança na cidade ainda é muito longo e está longe do ideal, mas tem pessoas que querem fazer de Joinville, de fato, a cidade da dança. Ao leitor que tem este desejo, venha fazer dança na cidade – seja no meu projeto ou com outros profissionais da área. A dança pode transformar as pessoas, pode alavancar o setor criativo, o econômico e muito mais. E, claro, esperamos todos na próxima edição do “Dançando na rua”, que acontece no último domingo de cada mês às 15 horas na Rua das Palmeiras. A próxima edição já é neste domingo, dia 27 de maio.

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