O barro e a expressão de Lucinha Artesanias

Fotos: Divulgação

Maria Lúcia Santana Corrêa, mais conhecida como Lucinha Artesanias, é natural de Piçarras/SC e mora em Joinville/SC há 48 anos, e foi aqui, mais precisamente na Casa da Cultura Fausto Rocha Junior, que ela começa a trilhar seu caminho com arte. Em 1990 ingressou na Escola de Artes Fritz Alt, e entre os diversos cursos, encontrou sua paixão na cerâmica. Em seu currículo, conta com participações na Semana do Ceramista (Casa da Cultura FRJ), na exposição coletiva Universo feminino, (Galeria Ritzmann), e a individual “Pintando, Bordando e Modelando Emoções”, no Hotel Mercure Prinz.

Luciano Itaqui: Há quanto tempo você produz arte da cerâmica?

Lucinha: iniciei na cerâmica há 7 anos na Casa da Cultura, completei os três anos de curso e fiz um ano de pesquisa de vidrado com cinzas. Atualmente continuo fazendo ateliê livre, porém minha história com a Casa já completou 20 anos. Entrei na Casa da Cultura pela primeira vez em 1990, me formei em desenho, pintura e história da arte, fiz três anos de ateliê livre em pintura, fiquei 3 anos afastada e voltei pra fazer pintura em porcelana. Meu primeiro contato com a argila foi há 10 anos, com a professora Eliana Stamm, na Univille. Mas foi naquela breve experiência, que eu tive certeza de que apesar de todos os cursos que eu já tinha feito na área de arte, nada se igualava aquilo.

Luciano Itaqui: Como é seu processo de criação em cerâmica? Você faz croquis antes ou prefere se libertar um pouco do planejamento?

Lucinha: Em tudo que faço, nunca consigo me prender a projetos ou planejamentos. Isso acontece mesmo na minha cabeça, e geralmente a noite. Até faço, quando a peça exige ou por conta do curso, mas geralmente acabo mudando no decorrer do processo. Comigo tudo acontece de forma espontânea, geralmente a coisa segue o seu curso sem que eu perceba, mas o resultado na maioria das vezes é satisfatório. Na produção das peças não uso muitas ferramentas, apenas o básico, não trabalho com torno e nem plaqueiras, geralmente utilizo bloco maciço e placas, mas tudo na base do rolo, muita coisa improvisada também. Frequentemente uso a argila natural, já usei argila com pigmentos mas isso limita um pouco o processo, prefiro usar natural e depois do biscoito, decidir.

Minhas peças carregam os traços e as memórias de uma infância simples no litoral catarinense, com forte influência açoriana. Nossa maior riqueza estava na vida simples e tranquila. Lembro das cortinas de chita nas janelas e roupas de cama, do fogão a lenha, da louça de barro, do balaio de cipó que meu pai fazia, do engenho de farinha, das bonecas de pano feitas por minha avó Olinda. Lembro de ficar à beira mar com meu irmão aguardando os pescadores com suas canoas, depois de um dia de pesca, das redes lançadas ao mar. Tudo isso retorna agora, como expressão no meu trabalho em peças decorativas e utilitárias, carregadas de uma doce nostalgia. Esse trabalho além de resgatar e passar adiante hábitos e costumes de um pedacinho do Brasil tão rico em cultura, é acima de tudo, o meu próprio resgate. Tenho a satisfação de levar aos lares das pessoas um pedacinho de mim“. Lucinha.


Luciano Itaqui: Você usa moldes? Quais as ferramentas que usa para dar forma?

Uso sim. Gosto muito de folhas do meu jardim, tubos e também gosto de modelar usando outras peças prontas, mas também goste de modelar em bloco maciço. Cada peça leva em média 30 dias para ficar pronta, depende do tamanho e das queimas, gosto de utilitários, principalmente para comercializar, mas faço peças decorativas também. A minha relação com a argila é uma coisa muito mágica, a liberdade de poder transformar a matéria prima dá uma sensação de liberdade e de poder, de saber que posso criar quase tudo a partir do barro. É mais ou menos como disse um certo cineasta, “Uma argila na mão e muitas ideias na cabeça”, licença poética, adaptei a frase pra minha realidade, (risos).

Lucinha no Ateliê Cláudia kopsck, em Piçarras

Luciano Itaqui: Quais são suas referências na cerâmica? Quem te inspira?

Lucinha: São muitos os ceramistas maravilhosos, grandes mestres que me inspiram e admiro. Em primeiro lugar, minha amada professora Gleici Kannenberg, também a nossa saudosa e inesquecível Heloísa Steffen, assim como Tácito Fernandes, Dalcir Ramiro e Alberto Cidraes, cada um no seu estilo, com suas obras maravilhosas. Tive o prazer de conhecer e aprender com todos eles, extrair o máximo de seus conhecimentos, e ver o quanto são gentis e humildes. Também admiro muito o trabalho da ceramista Juliana Bortoletto.


Luciano Itaqui: Qual conselho você daria para quem está começando a trilhar o caminho da cerâmica?
Quem sou eu para dar conselho! Nada disso, mas posso compartilhar a minha experiência, dizer que sou uma apaixonada por tudo que faço, e que não precisamos ser grandes artistas ou grandes artesãos/ ceramistas, basta começar e querer fazer alguma coisa. Mas temos que gostar daquilo que nos propomos a fazer, sermos persistentes e determinados. O resto virá por si só.

Conheça o Ateliê Lucinha Artesanias

Endereço: Rua Fátima 2540
Bairro Fátima
Contato 47991153447
Email [email protected]
Instagram: Lucinha_artesanias
Facebook: lucinhartesanias

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