Documentário aborda a poética da literatura como meio de ressocialização

Com pouco mais de 726 mil presos (IBGE), o Brasil ocupa a terceira maior população carcerária do mundo, uma marca que país algum gostaria de alcançar. O problema vai além do cumprimento da lei ou de penas mais duras, a principal questão é: O que fazer para assegurar que ao saírem, os até então detentos, consigam se incluir novamente na sociedade? Como impedir que voltem a cometer crimes?

Pensando em contribuir de maneira positiva com a ressocialização dos detentos e também instigá-los a se envolverem com a leitura e o mundo de novas ideias e oportunidades que podem surgir a partir dela, que em 2013, nasce na Penitenciária Industrial de Joinville o projeto “Oficina Literária” . Foi com o objetivo de divulgar o projeto desenvolvido na penitenciária, que os estudantes; Aline Machado, Larissa Machado Barcelos, Ricardo Alexandre de Freitas, Lucas Alvarez, Thaise Micuanski e Gabriela Bento do curso de Cinema e Audiovisual da UNISOCIESC, produziram o documentário “Palavras Livres”, que será exibido no “VII Simpósio de Direito das Minorias”, dia 24 de outubro, às 19h.

A diretora do doc. , Aline Machado, conversou com o ARTE NA CUCA sobre o projeto e a experiência singular, que segundo ela,  transformou suas vidas.

 

Arte na Cuca: Como surgiu a ideia de realizar o documentário e qual o propósito?

Primeiramente, nós gostaríamos de agradecer a oportunidade de estar falando sobre o trabalho que desenvolvemos aqui no Arte na Cuca.

A ideia surgiu de jovens acadêmicos do curso de Cinema e de Direito discutindo sobre a necessidade de rever o sistema carcerário e os métodos de ressocialização que motivaram-se a tirar suas ideias do papel e agir.

Decidimos que precisávamos, de alguma forma, contribuir para a alteração desse sistema, então resolvemos trabalhar dentro das nossas áreas do conhecimento e dentro de nossas habilidades pessoais para mudar esse cenário.A produção do projeto foi elaborada com afinco através das nossas frequentes discussões em grupo e da determinação de todos como equipe. Esse desejo por transformar a visão social do cárcere através do conhecimento e da informação impulsionou todo o roteiro, a direção, a produção, a fotografia, o trabalho como um todo. 

O conceito do documentário, desde o princípio, foi dar visibilidade ao trabalho de literatura desenvolvido na Penitenciária Industrial de Joinville e consequentemente, aos reeducandos que participam do projeto literário.

 

Arte na Cuca: Por se tratar de ambiente restrito, e de um assunto muitas vezes ignorado pela sociedade, quais foram as principais dificuldades encontradas pela equipe?

Foram muitos contatos, e-mails trocados, mensagens, muitas pessoas envolvidas que possibilitaram a nossa atuação dentro de um ambiente bastante restrito e reservado.

Entre as pessoas que possibilitaram nossa atuação, toda a equipe nutre uma grande gratidão pelo magistrado Dr. João Marcos Buch, juiz da vara de execuções penais de Joinville, que possibilitou a incrível oportunidade que obtivemos. Agradecemos a ele pelo espaço de atuação que nos foi concedido e também pela confiança depositada em nosso trabalho. 

 

Arte na Cuca: Quanto tempo levou desde a concepção da ideia até a finalização das imagens e qual o processo de criação?

A realização do roteiro, de todas as filmagens, externas e internas, com todos os entrevistados, mais o processo de edição, durou basicamente 1 (um) mês. Foi muito corrido pois tínhamos meta para a entrega e datas que marcamos para a finalização de cada processo. Ainda assim, trabalhamos com tranquilidade e foco. Podemos dizer que foi a experiência mais transformadora e incrível que pudemos ter em nossas vidas.

Nossa percepção pessoal do cárcere já encontrava-se fundamentada em diversas leituras sobre o tema e estudos pessoais, entretanto, a realidade diária e o contato
individual com os reeducandos, proporcionou uma mudança interna muito produtiva.

Isso porque fomos capazes de enxergar além do conceito de “nós” e “eles”. Ainda que a literatura acadêmica tivesse proporcionado em nós uma visão diferente da prisão, nós não havíamos sido capazes, antes, de perceber de maneira tão forte essa ligação social única que todos temos.

 

Arte na Cuca: Que mensagem vocês gostaria de deixar para a sociedade após a realização desse trabalho?

Somos todos uma única sociedade e, por isso, precisamos nos esforçar para mantê-la e desenvolvê-la. Não podemos “descartar” seres humanos, vidas, como se não fossem parte do mesmo corpo social que nós. É preciso resgatar, ressocializar, salvar.

 

O QUE? Exibição do documentário “Palavras Livres”

QUANDO? 24 de outubro às 19h no Auditório da UNISOCIESC.

QUANTO? Gratuito.

ONDE? R. Gothard Kaesemodel, 833 – Anita Garibaldi, Joinville – SC

 

Recommended Posts

Nenhum comentário por enquanto!


Adicionar comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *