Como a pandemia está mudando o cinema

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Salas vazias, filmes adiados, festivais cancelados. A crise causada pela pandemia do Covid-19 que atinge o mundo a mais de seis meses, acertou o cinema em cheio. Dependente de público e de produções, as salas de cinema espalhadas pelo globo vem enfrentando dias sombrios. Os estúdios tiveram de parar suas produções, o que por si só, já gerou uma série de consequências econômicas como por exemplo, a suspensão dos contratos de trabalhadores da área. As distribuidoras ficaram sem novos filmes para vender às salas de cinema, que se encontram fechadas desde o início da pandemia.

Pensando em números, a indústria cinematográfica mundial que teve um lucro de mais de 96,8 bilhões de dólares em 2018, segundo a MPAA (Motion Picture Association of America), deve amargar uma perda de quase 20 bilhões de dólares somente em 2020.

Streaming como alternativa

Grandes produtoras como a Disney, viram no streaming a alternativa para lançar seus filmes. Um bom exemplo disso é o lançamento do filme “Mulan”, que acontecerá diretamente no Disney+, serviço de streaming da própria Disney. Outras produtoras recorreram a Netflix e a Amazon Prime para lançar seus filmes.

Talvez a mudança mais impactante na história do cinema, esteja sendo iniciada por um dos maiores estúdios do mundo, a Universal Pictures, que pretende lançar os filmes nas plataformas digitais ao mesmo tempo que nos cinemas. Isso fará o espectador pensar duas vezes antes de ir ao cinema, algo que certamente não significará seu fim, mas uma mudança de hábitos de consumo, que poderá afetar o cinema como nunca antes visto na história da sétima arte . Vale lembrar que ir ao cinema é mais que assistir ao filme, é vivenciar uma experiência estética e de produção dos sentidos, completamente diferentes a de quem opta por assistir ao filme em casa.

Retomada das produções

Já se fala em protocolos sanitários para a retomada das produções cinematográficas. Alguns sindicatos lançaram cartilhas com sugestões de procedimentos aprovados pelos órgãos sanitários para garantir o máximo possível de segurança no set de filmagem. Essas medidas vão de equipes muito reduzidas, à utilização de barreiras em acrílico entre a equipe e a cena filmada. Por enquanto, a retomada é lenta, pois ainda existe o temor de que uma nova onda da doença possa vir a surgir em alguns países. No Brasil, a volta de pequenas produções já foi liberada em alguns estados, também com protocolos rígidos de controle.

Estima-se que o aumento no custo das produções, deva ser de 20 a 30%, devido as novas medidas de segurança exigidas. Um custo considerável, se levarmos em conta os valores envolvidos nos projetos. Pedro Almodóvar, famoso cineasta espanhol, aproveitou o fim das medidas restritivas na Espanha para produzir um curta-metragem intitulado “The Human Voice”, que deverá ser lançado em setembro deste ano. Na foto abaixo, é possível perceber as novas medidas obrigatórias na retomada das filmagens por todo o mundo.

Créditos da imagem: Agustín Almodóvar

Reabertura dos cinemas?

Existe um temor por parte das salas de cinema quanto a reabertura, pois como as produções foram cancelas ou adiadas, são pucos os filmes prontos para estrear em um futuro próximo. Ou seja, um apelo menor de grandes produções, que poderá acarretar em público abaixo do esperado. Outro fator a se considerar é o receio do público em ir ao cinema, por se tratar de um local fechado, com pouca ventilação e muito suscetível a propagação da covid-19. As salas com filmes 3D exigem um cuidado mais especial, pois os óculos são compartilhados, isso fará com que seja necessário higienizar o equipamento após cada sessão.

Alguns países como Coreia do Sul, República Tcheca e Nova Zelândia, já iniciaram o processo de reabertura de suas salas, com diversas restrições como: sem pipocas, uso de máscaras, medição de temperatura e lotação reduzida para 25% da capacidade total. Essas medidas, podem desencorajar o expectador, que vai até o cinema justamente para ter uma experiência diferente da que dispõe na sala de casa.

Por fim, por mais trágica que seja a perda econômica, as vidas humanas perdidas nesse processo são ainda piores. Não se pode retomar os trabalhos na indústria cinematográfica sem responsabilidade e respeito à vida. O fechamento das salas de exibição e a pausa nas produções foi algo extremamente necessário, mas que certamente irá buscar adequações para retornar gradativamente aos seus dias de glória, mesmo que para isso seja preciso se reinventar e descobrir outras possibilidades de produzir e consumir cinema de forma diferente.

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