Cinema e educação: uma via de mão dupla

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Desde que o cinema é cinema, a curiosidade do espectador tem sido a grande responsável por seu sucesso. Diferente de um livro, por exemplo, a história do filme acontece dentro daquele universo que dura pouco mais de uma hora. Existe uma espécie de jogo, em que o diretor da obra joga com o espectador, e este aceita as regras contidas neste universo, ignorando por muitas vezes, as regras do mundo real. Mas isso nem sempre acontece, as vezes essas regras não fazem sentido, e o espectador dispersa, perde o contato com o filme e se desconecta.

Para adentrar mais profundamente neste universos, se faz  necessário a construção de pontes entre obra e público, o que chamamos de mediação, ou seja, criar possibilidade de leitura e interpretação para o expectador.

A mediação provoca o espectador a descobrir diversas camadas presentes na obra. Mediar nada tem a ver com explicar, dar respostas prontas, mas construir certas possibilidades de leitura a partir do repertório de cada um.

De nada adianta exibir apenas filmes de autor (aqueles em que a essência, apenas seu criador entende), ou os conhecidos Cinema de Arte, experimentais e atualmente simbólicos, para um público não iniciado.

Neste tipo de cinema tão peculiar, por exemplo, a experiência pode ser um tanto traumática, e fazer com que o expectador tenha dificuldades para voltar a se permitir viver novamente tal experiencia.

Um trabalho cuidadoso deve ser feito desde o ato da escolha do filme a ser exibido, lembrando que não se exibe para si, e sim para o público. Pensar em uma exibição, é pensar nas pessoas que vão assistir, é pensar que o público é singular, com experiências e repertórios únicos. Levar em conta esta diversidade é criar ambientes mais propicios e atrativos, e assim iniciar um trabalho de formacao/transformacao do olhar para novidades.

A falta de formação e senso crítico do expectador é um dos motivos pelo qual a indústria cinematográfica brasileira vir patinando durante tanto tempo. Por formação, o sistema audiovisual tem entendido apenas a capacitação profissional, esquecendo do consumidor final. Do que adianta um país produzir 327 filmes por ano se não há público?!

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