Museu Nacional de Imigração e Colonização abre a exposição “Miradas do Porvir”

Nesta quinta-feira (23), às 15h, o casarão do Museu Nacional de Imigração e Colonização (MNIC) reabre com a exposição de longa duração “Miradas do Porvir”. O espaço é administrado pela Secretaria de Cultura e Turismo (Secult) da Prefeitura de Joinville e a abertura integra a programação da 22ª Semana Nacional de Museus. Para a finalização da exposição e últimos detalhes no jardim do museu, o MNIC estará fechado nesta terça e quarta-feira (21 e 22), reabrindo ao público na quinta-feira, a partir das 14h.

Os visitantes terão acesso aos três andares da “Maison de Joinville”, que é o casarão principal, com material expositivo e interativo em 13 salas. Os espaços apresentam as diferentes formas que os imigrantes enxergavam o deslocamento e aborda os olhares das pessoas que chegaram no Sul do Brasil a partir de meados do século XIX. Além disso, a proposta é promover uma reflexão sobre as experiências colonizadoras, os significados implicados no termo colono e as dificuldades enfrentadas pelo imigrante que se instalou na região Sul naquele período.

Experiência e interação com o público

Para que o visitante viva essa experiência, a exposição terá sala imersiva, inclusive com oleografia. Um filme com aproximadamente quatro minutos de duração, com projeção nas paredes e no chão, leva o público a refletir sobre o direito à imigração, questões de territórios e fronteiras. Durante a exibição, o visitante terá a sensação de ser um personagem do filme, uma vez que estará integrado ao espaço onde a projeção ocorre. Outra atração que promete prender a atenção do visitante é uma experiência tecnológica, por meio de projeção mapeada, em que será possível acompanhar a constituição de uma colônia desde o início, com a chegada dos primeiros imigrantes. Ainda neste contexto, em um dos momentos da exposição, o visitante encontra uma parede interativa com fotos de igrejas da região, ao virar a imagem, está a história desses locais.

Monitores com touch screen possibilitam que o visitante tenha acesso às fontes utilizadas durante a pesquisa para a montagem da exposição, que além da língua portuguesa, tem tradução para inglês e espanhol. Em uma das salas, o público poderá sentar no banco de uma charrete. Neste mesmo local, há um mapa que mostra de onde vieram os imigrantes que se instalaram na região Sul do Brasil naquela época. Há ainda móveis e utensílios que complementam a experiência durante a visita.

Segundo o secretário da Secult, Guilherme Gassenferth, o Museu Nacional de Imigração e Colonização é um dos mais visitados do Sul do Brasil e a nova exposição reflete, após mais de seis décadas, o ingresso do MNIC no campo da museografia contemporânea.

“Mesmo com a ampliação do recorte temático para a imigração no Sul do Brasil, conforme o presidente Juscelino Kubitschek expressou na lei da criação do museu em 1957, fizemos questão de manter Joinville como a protagonista que sempre foi neste importante museu e preservar o orgulho dos joinvilenses”, afirma o secretário.

Para a superintendente estadual do Iphan, Regina Helena Meirelles Santiago, a exposição “Miradas do Porvir” é um importante convite ao público para refletir sobre as experiências e o legado dos migrantes, com uma expografia modernizada, que valoriza o rico acervo do Museu Nacional de Imigração e Colonização e o belíssimo Palácio dos Príncipes, que já havia sido restaurado pelo Iphan.

“Sua abertura marca a conclusão de um frutífero processo de renovação do MNIC, construído com parceria, diálogo e muito trabalho entre as equipes do Iphan, da Secult, do MNIC e da Straub Design”, afirma Regina.

A montagem da exposição teve um investimento de R$ 2,9 milhões e foi executada com verba do Governo Federal, por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Trabalho desenvolvido no preparo da exposição

Quando a exposição “Miradas do Porvir” começou a ser pensada, entre os objetivos estava a discussão sobre a imigração e a colonização no século XIX, abordando as histórias e memórias dessas pessoas que chegaram ao Sul do Brasil.

“Os imigrantes europeus foram necessários para a construção de um novo projeto de Brasil, como alternativa central para atender as expectativas do governo imperial brasileiro. Foram atraídos para serem mão de obra durante a colonização e acabaram enfrentando conflitos com as populações que já estavam aqui”, explica a coordenadora do MNIC, Elaine Cristina Machado.

Ao tratar da imigração neste século, a “Miradas do Porvir” também volta o olhar para a perseguição sofrida especialmente por imigrantes alemães e italianos durante a campanha nacionalizadora de Getúlio Vargas, vigente no período do Estado Novo (1937-1945).

Além disso, a exposição aborda os saberes e fazeres que resultam das atividades implicadas nas operações da indústria rural, no emprego da mão de obra familiar e na distribuição de responsabilidades de afazeres dentro das propriedades rurais.

A educadora de museu, Alcione Resin Ristau, lembra que para essa reflexão é importante observar aspectos da cultura popular como as atividades, causos, contos e rezas. “Que resultava dos trabalhos de mutirão ou em família, bem como abordar os distintos sentidos empregados sobre a infância e o que implicava em ser criança nessa lógica familiar”.

“Agora temos um recorte patrimonial do museu, conforme previsto na sua criação. Tratamos das expectativas de um futuro que sempre se quer e espera. Que seja próspero, repleto de ricas e exitosas experiências, mas que nem sempre o porvir dá conta de superá-las e atendê-las”, explica a gerente de patrimônio e museus da Secult, Roberta Meyer.

O Museu Nacional de Imigração e Colonização também conta com o espaço expositivo “‘Saberes e Fazeres”, que integra a exposição “Miradas do Porvir”. Este espaço fica aos fundos da “Maison de Joinville” e está em uma edificação contemporânea. A exposição apresenta itens do acervo museológico com diferentes tipologias e dimensões. Conta com painéis, mobiliários expositivos, cenografias, recursos interativos e de acessibilidade. O jardim e a Casa Enxaimel também estão abertos a visitação.

O Museu Nacional de Imigração e Colonização abre de terça-feira a domingo, das 10h às 16h e está localizado na rua Rio Branco, 229, com vista para a Rua das Palmeiras. A visitação é gratuita.