Artista visual TiroTTi, expõe “Movimentos Civis”em Itajaí

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O artista visual Nilton Santo TiroTTi, apresenta “Movimentos Civis” na Casa da Cultura Dide Brandão em Itajaí, de 07 a 27 de agosto.
Os trabalhos expostos durante a mostra, tem o intuito de provocar reflexões a respeito da imagem, do nosso comportamento frente a elas; e por meio delas, também compartilhar questões políticas latentes na atualidade. A exposição, é composta por fotografias, videoinstalações e objetos, que pretende aguçar o olhar do público a refletir sobre seu papel como agente transformador da sociedade.

O artista concedeu entrevista exclusiva para o Arte na Cuca, onde fala mais sobre seus trabalhos e a discussão que pretende gerar através da arte.

ANC: Sobre o que/ qual sua pesquisa e investigação que resulta na exposição “Movimentos Civis”, apresentada em Itajaí?

Tirotti: Nasce de minha pesquisa com a imagem, em específico a Partilha do sensível de Jacques Rancière. Com a minha produção a partir das narrativas, criadas e/ou adaptadas, percebo a possibilidade em amplia-las com o recurso nos recortes da imagem. Ao considerar que somos pessoas livres e adotamos os papeis sociais afinados com as nossas experiências, e perpassando um momento histórico e que a política partidária teima em sobrepor as nossas participações ativas, decidi em associar a minha serie de recortes para percorrer a política da imagem, ancorada num ready made, o livro da constituição federal de 1988.

ANC: Quantos trabalhos artísticos compõe a exposição? 

Tirotti: São dez trabalhos:
Fotografias – impressas em canvas – 7 peças
Objeto – um exemplar do livro da Constituinte federal dentro de uma redoma de vidro – 1 peça
Videoinstalação – a projeção de um vídeo do folhear de um livro projetado sobre uma poltrona
Videoarte – imagens apropriadas das emissoras públicas com a promulgação da constituinte em 1988, uma passada pela Secretaria do Congresso Nacional e uma reportagem sobre a distribuição dos livros da Constituinte às bibliotecas. O vídeo também recebe a inserção de recortes construindo um contraponto do legislativo parlamentar e as ações ativistas nas ruas do país.

ANC: No texto/banner de divulgação ao qual tivemos acesso, menciona que: “ A exposição solicita aos visitantes uma nova postura, a de viver com uma atitude ausente de passividade”. Na sua interpretação de mundo como artista, ao que se deve essa passividade e como teus trabalhos pretendem discutir esse tema?

Tirotti: A passividade vem de nossa absorção desatenta, tanto pela acumulação imagética, como também pela nossa negligência cultural aos nosso direitos sociais, um pensamento em que, somente os políticos são os responsáveis. Quantas pessoas levam a sério a nossa responsabilidade em eleger os nosso representantes. Você sabe qual é o número de seu título de eleitor? Porém, a minha pretensão em como os meus trabalhos poderiam interferir em diminuir a passividade comentada é quase nada, afinal, neste momento o meu papel é levar às pessoas o meu trabalho em arte, realizar o meu papel social em ser um artista que percebe, pesquisa, trabalha e devolve ao entorno a minha contribuição com uso dos pressupostos da arte.

ANC: Seu trabalho propõe reflexões políticas sobre o que vivemos na atualidade. Como é ser artista em tempos de total descaso com a cultura? E qual sua opinião sobre Arte Engajada

Tirotti: O papel do artista é sempre a contravenção, a contraposição estética, a requalificação de valores como também a contravenção ativada nas mídias sociais ou nas ruas. Uma atuação em uma das grandes e inesgotáveis possibilidades de instaurar os suportes artísticos, com isso, uma poética direcionada nas temáticas políticas sociais, a Arte engajada como linha conceitual definida e aplicada. Eu vejo, sem a pretensão de reduzir, uma linha de trabalho comprometida em discutir sempre os direitos sociais de maneira direta. No projeto da exposição Movimentos civis, eu deixo claro que não se trata de uma pegada engajada mas, confesso que foi o mote curatorial da exposição, vídeo a videoarte Granjeio e o objeto Além livro.

A exposição, para mim, está na possibilidade em fazer uso das minhas produções da série recortes, onde eu seleciono várias paisagens urbanas e rurais, bem conhecidas ao repertório das pessoas onde, por minhas inserções, pelos recortes, nessas mesmas paisagens vão provocar outras narrativas ao sair de um lugar comum.” – TiroTTi

Quando? 07 a 27/8  Horário:  8h às 22h, de segunda a sexta-feira, e das 8h às 17h, aos sábados.
Quanto? gratuito
Onde?  Casa da Cultura Dide Brandão, R. Hercílio Luz, 655 – Centro, Itajaí – SC

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