Professora de Joinville é finalista no Concurso Nacional: Desafio Diário de Inovações

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A professora de História, Angela Maria Vieira, que leciona na Escola de Educação Básica Dr. Jorge Lacerda, é uma das finalistas do Concurso Nacional Desafio Diário de Inovação, que tem por objetivo reconhecer experiências inovadoras que promovem a transformação em práticas tradicionais de ensino e aprendizagem.

Promovido pelo Porvir e IBFE(Instituto Brasileiro de formação de Educadores), recebeu mais de 300 projetos de professores de todas as regiões do país, e Angela junto ao projeto da escola localizada no bairro Guanabara, foi uma das 18 finalistas do concurso.

O projeto finalista

Imigração: Inclusão e Cidadania, foi desenvolvido com a turma do 2º ano do ensino médio, em que a educadora expôs algumas pesquisas sobre os desafios vividos pelos imigrantes haitianos que moram em Joinville, o objetivo principal foi trabalhar a empatia, imigração, diversidade, cultura e sensibilizar os alunos a respeito do tema tão atual na cidade.

Para realizar o projeto, Angela fez uma avaliação diagnóstica com os educandos no intuito de verificar os conhecimentos prévios da turma. Em uma das questões, perguntou o que sabiam a respeito do tema imigração, que é uma questão contemporânea e integra a matriz curricular do ensino médio. O assunto relaciona-se com o entorno da unidade escolar, que tem recebido nos últimos anos muitos imigrantes haitianos.

(Segundo dados oficiais, há cerca de 4 mil haitianos em Joinville. O município tem cerca de 580 mil habitantes, de acordo com estimativas do IBGE em 2018.)

As respostas em geral associavam o fenômeno migratório com as dificuldades econômicas dos deslocados, porém um fato chamou atenção da professora: “os estudantes não mencionaram os haitianos.

“Isso me deixou muito intrigada, pois há um fluxo grande de pessoas originárias do Haiti que transitam e residem nas proximidades. Em nossa escola, temos sete estudantes haitianos matriculados, com idades a partir de 15 anos. Questionei sobre os haitianos e recebi as seguintes respostas: “eles são estranhos”. Outro estudante comentou: “minha mãe disse para ficar longe deles”. – Angela.

Diante disso, percebeu que o tema deveria ser aprofundado e sugeriu que os alunos iniciassem pela seguinte situação problema: o número crescente de haitianos na cidade, a desinformação dos estudantes, as manifestações de racismo e xenofobia presentes nas redes sociais e nos comentários das pessoas em geral.

Angela destaca: “O ápice dessas manifestações xenófobas foi quando a fachada de uma empresa da zona sul da cidade amanheceu pichada com os seguintes dizeres: “o Haiti não é aqui”.


O projeto foi uma boa oportunidade para mobilizarmos habilidades e competências, exercitarmos a empatia, o espírito colaborativo em torno de uma causa, e fazer uso qualificado da tecnologia, como propõe a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Foram feitas parcerias com o Museu Nacional de Imigração e Colonização de Joinville, o qual desenvolve um projeto denominado “Percursos”, que consiste em uma caminhada de dois quilômetros, tendo como ponto de partida o museu e término no Cemitério dos Imigrantes, passando por espaço importantes para a memória da cidade.

A educadora ainda destaca que os estudantes haitianos participaram da atividade promovida pelo Museu e que ao longo do trajeto uma das alunas vindas do Haiti contou que foi vítima de preconceito racial pela primeira vez no Brasil e que só aqui conheceu este tipo de discriminação.

Na aula seguinte, a conversa foi a respeito da saída de campo, enfatizando aos estudantes que apesar das novas produções historiográficas e dos projetos desenvolvidos pelo museu, ainda prevalece no imaginário dos joinvilenses a influência histórica e cultural apenas dos povos de origem germânica, desconsiderando a importância de outras origens, como o caso atual dos imigrantes haitianos.

O passo seguinte baseava-se em um questionário entregue aos alunos com perguntas para que pesquisassem junto aos seus familiares sobre a origem dos seus antepassados. Com os resultados obtidos, montaram uma tabela e verificaram que a grande maioria da população da cidade é composta por migrantes. Isso criou uma identificação com os imigrantes haitianos.

Os educandos produziram infográficos para explicar os conceitos e as diferenças entre migrantes, imigrantes, emigrantes, apátridas, refugiados, asilados políticos, visto humanitário e expatriados. Trabalharam com a Arte Naif, (popular no Haiti) e ilustraram episódios marcantes da história do país. As características dessa arte são as cores vibrantes e fortes, que estimularam por exemplo, ilustrações sobre como teria sido a Revolução haitiana, que tornou o país a primeira república negra do mundo em 1804.

Aprofundando cada vez mais o tema, Angela fez uma roda de conversa , convidando uma representante do Centro de Direitos Humanos, Lisandra Couto, e o Presidente da Associação dos Haitianos de Joinville, o senhor Whistler Ermonfils, para trocarem experiências com os estudantes, onde foi realizada a leitura e a discussão de dois textos, um acadêmico e outro jornalístico, o que resultou em um blog para fazer uso dos recursos tecnológicos, mas também como portfólio das atividades.

Além da projeção do vídeo “Xenofobia um Crime Silencioso” e também de duas campanhas publicitárias de combate à xenofobia, uma da Alemanha e outra de Portugal.
Após essa troca, em duplas, produziram uma “peça publicitária” de combate à xenofobia. As melhores ideias foram reunidas e enviadas para a Prefeitura de Joinville, como sugestão para uma campanha institucional. Essa campanha incluiu ainda a produção de marca-páginas com informações sobre o Haiti. Material que foi distribuído para a comunidade. Eles produziram frases e ilustrações contra a xenofobia, que foram disseminadas nas redes sociais.
Por último, uma exposição foi organizada com todo material produzido ao longo do projeto. Dessa forma, foi possível compartilhar com a comunidade os saberes adquiridos.

A professora conclui : “Durante o trabalho, os educandos aprimoraram a escrita, ao produzirem textos, a percepção crítica da realidade com os debates e rodas de conversas e o uso qualificado dos recursos tecnológicos, ao produzirem a campanha publicitária contra a xenofobia.

Assim como nas últimas edições do Desafio Diário de Inovações, serão reconhecidos 6 relatos inovadores, cada um em uma das categorias: Educação Infantil, Ensino Fundamental 1, Ensino Fundamental 2, Ensino Médio, Ensino Superior e Modalidade de Ensino (Educação de Jovens e
Adultos, Educação Especial, Educação Profissional, Educação do Campo, Educação Indígena,Educação Quilombola ou Educação a distância).
Os destaques de cada categoria serão contemplados com uma viagem a Campinas (SP) para participar do 3º Congresso Brasileiro de Tendências e Inovação na Educação, no dia 14 de setembro de 2019. Eles ainda têm a chance de concorrer ao Prêmio Educador Inovador, no valor de R$ 3.000,00 para o primeiro colocado, e R$ 1.000,00 para o segundo e terceiro. Os premiados serão conhecidos durante o evento.

Sobre a Professora

Foto: Divulgação

Semi-finalista do Prêmio Vivaleitura 2015 com o projeto: “Diálogos entre História e Literatura”. Ficou entre os 50 finalistas do Prêmio Educador Nota Dez em 2013 com o projeto “A Relação do Homem com o Mar”. Todos os anos, desenvolve projetos e atividades que envolvam o entorno da unidade escolar, aproximando assim o conhecimento histórico da vivência dos educandos.

Angela Maria Vieira é graduada em História pela Universidade da Região de Joinville (Univille). Tem duas especializações: História do Brasil (Associação Educativa Evangélica/GO) e História Cultura (Aupex/SC). Atua há 25 anos como docente e Leciona História para as turmas do 2º ano do ensino médio da Escola Jorge Lacerda. Está no terceiro ano do curso de História da Arte
promovido pela Casa da Cultura de Joinville. Venceu o Prêmio Educador Nota Dez em 2014, promovido pela Fundação Victor Civita, com o projeto “Os Guardiões dos Sambaquis”.

Blog da professora:
http://angelacliohistoria.blogspot.com

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