Exposição “A filha do imperador”: entrevista com Fabio Pantoni

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Com exposição em cartar no Instituto Internacional Juarez Machado, de 23/02 a 04;05, o artista visual Fabio Pantoni, falou ao Arte na Cuca sobre seu processo criativo, inspirações e revelou alguns detalhes sobre a mostra.

ANC: A exposição é inspirada no livro da escritora portuguesa Maria João Fialho Gouvea, e coincide com a comemoração dos 167 anos de Joinville. Até que ponto a tua interpretação e inspiração trás a figura da princesa como um ser que tem relações/identificação com a  cultura da cidade?

F.P.: Conheci este livro em uma viagem, é um romance histórico baseado em informações e pesquisas da escritora portuguesa, acredito que a exposição vai além de falar de história pois em si não possui compromisso histórico, ela fala de amor. É um projeto primeiramente pessoal de estudo, porém foi desenvolvido para a cidade de Joinville e região prestigiar. Como possuo formação também em design gráfico, sempre penso no processo de desenvolvimento de um projeto, então elaboro ele em 3 etapas, sendo o primeiro de relevância maior que é o conceito, em segundo a técnica e em terceiro com menos relevância a forma. O objetivo geral foi construir com este processo e etapas um ambiente para a personagem literária.

ANC:Joinville é conhecida como cidade dos príncipes (que aqui nunca estiveram). Você acredita que de alguma forma seu trabalho pode contribuir para aproximar e despertar o interesse das pessoas em saber mais a respeito da história e memória da cidade?

F.P.: Não penso de forma tão comprometedora este trabalho, também realmente não sou um artista conceitual ou estritamente social, minha contribuição para os cidadãos nesta exibição creio que é sugerir para as pessoas o poder da literatura e da interpretação visual , deixar as pessoas fazerem a união do texto e imagens como eu fiz.Como maior relevância destaco que o objetivo é mostrar novas texturas e técnicas me apropriando de formas novas ou já existentes(desenhos, fotografias, obras clássicas , atuais ou modelos) para  as crianças, jovens e público em geral que lá circulam.

Fonte: Facebook do artista

ANC:Por que realizar uma exposição inspirada na figura da princesa? Como chegou a essa pesquisa?

F.P.: Quando conheci este livro em uma viagem, da escritora Maria João Fialho Gouvea, e olhei para aquela capa com a pintura clássica da D.Francisca ele me remeteu a formas já conhecidas (possuo um acervo bem extenso de imagens pois pesquiso diariamente seja pela web, viagens ou visitas a museus), me aproximei e vi o título “A Princesa Boemia”, neste momento já houve uma curiosidade habitual de informação. A leitura me fez descobertas que acredito ser importante informar, tentar romper a força da palavra “princesa” e mostrar uma mulher como qualquer outra,  que já foi vista por ai, que ama e que possui conflitos internos e externos. Após a leitura foi de certa forma fácil, vasculhar meu banco de imagens, escolher as imagens e modificá-las  para se encaixarem no conceito e técnica já definidos, relacionando com os textos que destaquei para representar visualmente o projeto.

ANC: A pintura sempre foi destaque entre a realeza. Renomados artistas retrataram reis, rainhas e demais membros da corte em telas que se imortalizaram através dos tempos. Como é para você ser um artista que valoriza a pintura e a tela como suporte, em uma era em que muitos espaços de arte e o próprio sistema da arte tem seus olhos voltados para o contemporâneo?

F.P.: Existem várias formas de pintar, nenhuma é correta ou errada principalmente se falando de arte contemporânea, e eu não julgo. É escolha e o meu único desejo é que as pessoas respeitem uns aos outros. Eu utilizo diversos meios para chegar nas formas e não tem regra, utilizo desenho, modelo vivo, obras contemporâneas, obras clássicas e até fotografias. Participo de um grupo online de discussão de arte e sempre divulgo minhas obras, recentemente uma pessoa que não concorda quis me denunciar pois estava utilizando as formas que ele já conhecia pensando que ele iria me surpreender, mas isto é meu processo de trabalho, esta utilização passa por mutações até para chegar ao que necessito visualmente e é real. Talvez peco por não deixar isto tão claro e por não sentir esta necessidade, mas como o trabalho está se tornando cada vez mais conhecido vejo a necessidade de informar a quem deseja para evitar que me prejudiquem, apesar de acreditar que isto não é uma responsabilidade minha de fala e sim da crítica que pode realizar estas conexões visuais. Quando tive a oportunidade de estudar Arte Moderna e Contemporânea nas Belas Artes do Paraná e conhecer mais sobre a história da arte, consegui abrir muito meu repertório para me dedicar a esta pesquisa e me livrar de barreiras pré-modernistas, seguindo e admirando  artistas que seguem esta linha de processo como Andy Dixon, Adriana Varejão, Daniel Lannes, Vik Muniz entre outros.

ANC: Na arte, a pintura pode e deve ser utilizada para pensar questões da sociedade atual, você se considera um pintor contemporâneo? Que questões a exposição “A filha do imperador” aborda e que você deseja instigar ou transmitir ao público?

F.P.: Pessoalmente não me agrada definições para o uso da pintura, nunca pensei que a pintura deve ser utilizada exclusivamente para questões da sociedade atual, na verdade isto não faz muito sentido, criar uma restrição para a produção artística?! Penso que a arte pode ser ofertada ao público sem restrições. Cada vez mais penso na arte como um projeto, algo que na minha concepção seja belo em cima de referências visuais e estudos. Desejo me tornar cada vez mais contemporâneo no processo, utilizando-se também de técnicas clássicas. Penso que por vezes utilizo a arte por satisfação pessoal ou simplesmente para fazer as pessoas refletirem, e acredito que muitos artistas fazem isto, mas é difícil declarar ao público. Quando inclui uma obra sem autorização na abertura do 38º Salão de Artes Museu de Arte de Ribeirão Preto, ou quando fui convidado para expor em Miami e fiz um vídeo de divulgação criticando a própria galerista e o sistema cafona de algumas Galerias brasileiras no exterior, me arrisquei, quase tomei processo mas foi incontrolável. Pode parecer um pouco egoísta esta fala, mas romper estes estigmas e transgredir é uns dos prazeres que sinto, quem saiba posso focar mais neste processo.

ANC: O que essa exposição representa para você e sua carreira como artista visual? As obras que fazem parte da mostra, podem ser adquiridas ao término da exposição? Quem deseja adquirir um Pantoni deve procurar por seu trabalho de que maneira?

F.P.: Sou um artista novo e tenho muito o que aprender, então não penso muito nisto, apenas crio com e deixo as outras pessoas olharem e concluírem, sei que sou pintor e continuarei a pintar, independente do resultado, elogios ou críticas.
As obras poderão ser adquiridas, é fácil me encontrar nas redes sociais ou pode-se falar com a Galeria 33 de Joinville|SC.Agradeço aqui primeiramente ao Instituto Juarez Machado e sua equipe por aceitar este projeto e por ter me proporcionado  a oportunidade de aprender com o time competente que possuem, também ao curador Márcio Paloschi e ao crítico Walter Queiroz Guerreiro. Por fim, agradeço muito o convite desta entrevista pela equipe Arte na Cuca, admiro o trabalho de vocês no caminho das artes.

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