Seriam os jogos digitais através de suas narrativas ou representações uma nova forma de arte?

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Imagem da capa: [The Last os Us Part 2]

Os games como arte geraram e ainda levam a disputas homéricas e a debates acalorados enquanto ocupam o espaço da indústria cultural, ao lado do cinema e muitas vezes à sua frente no que condiz ao alcance e ao seu consumo. Mas afinal, quais critérios definiriam a introdução a esse seleto grupo? Por quais motivos na história sempre temos resistência a novas formas de contar, de narrar, imaginar ou representar o nosso mundo?

Muitas vezes o princípio dessa discussão está ligado a uma hierarquia entre as formas de nos expressarmos artisticamente. Lembra daquele seu amigo que sempre diz que o livro é melhor do que o filme? Mas na verdade sabemos que as formas e o meio em que essas histórias são narradas não podem ser comparadas. Talvez essa aversão ao novo esteja ligada com o afeto que desenvolvemos em relação ao modelo de arte que estamos mais habituados.
Foi em 1923 em que o intelectual italiano Ricciotto Canudo propôs a inclusão do cinema como sétima arte, logo após a dança e, da mesma forma, ocorreram resistências. Hoje temos o cinema como uma expressão genuinamente artística, com escolas e movimentos consolidados, acompanhamos os principais prêmios da academia, temos roteiristas e diretores favoritos.

Mesmo assim, quando nos deparamos com uma nova forma de contar histórias, muitas vezes vista como puro entretenimento, também temos as mesmas resistências. Canudo afirmava que o cinema era capaz de inovar e difundir as outras artes através da união de outras mídias. Os games não fazem o mesmo? Aliás, além de incluir todas as outras mídias, adicionam a variável ‘interação’. Isso não seria inovar e projetar uma imersão ainda mais profunda através do ato de emocionar e imaginar?

Vamos à prática!

“A maneira como o passado recebe a impressão de uma atualidade mais avançada é dada pela imagem na qual ele está compreendido.”
W. Benjamin, Paris, Le livre des passages, 1927 – 1940.

Caso seguirmos literalmente a reflexão dada por Benjamin, faremos isso com classe. Uma das imagens interativas mais revolucionárias do mundo dos games se chama The Last Of Us e The Last of Us Part 2. Nessas duas histórias você faz parte de um mundo pós-apocalíptico em que a sobrevivência e a ação tomam a narrativa através de dramas de personagens que fazem com que o jogador fique imerso e se envolva no game além das possibilidades de jogabilidade. Talvez esse tenha sido o principal fator de sucesso do jogo, apesar de ter uma jogabilidade e gráficos excepcionais, a história é a verdadeira motivadora.
A roteirista Halley Gross destacou: “Mas espero que [The Last os Us Part 2] faça com que os jogadores terminem o jogo e vejam pessoas com as quais eles talvez não sentiriam nenhum tipo de conexão e digam ‘é, talvez haja algo com a qual eu possa me identificar.”

É nesse processo que personagens como Ellie, Abby, Lev e Dina trazem contradições ao espectador através de dramas que envolvem gravidez, sobrevivência, vingança, família e gênero. Especialmente na parte dois, devido aos caminhos dos personagens Abby e Ellie, você revistará seus próprios valores morais ao se deparar com atitudes no mínimo controversas. Após experimentar as emoções desse jogo, ou assistir a série da HBO que está em produção, eu te convido a vir aqui refletir sobre o que seria arte e se os games fazem parte desse universo.


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