“Navegue a Lágrima”

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Por Carol Spieker

A autora porto alegrense Leticia Wierzchowski, pode ser conhecida do grande público pelas obras premiadas como “Sal”, publicada em 2013 e “A Casa das Sete Mulheres”, publicada em 2002, inspirando obra homônima produzida pela Rede Globo, exibida em 30 países. Na obra “Navegue a Lágrima”, lançada pela Editora Intrínseca em 2015, Letícia conta concomitantemente duas histórias que se passam em diferentes momentos. Uma, a história da editora Heloísa que resolve mudar de ares, após a morte de marido, outra, a história de Laura Berman, uma escritora consagrada.

Isso se dá porque, após perder o marido, Heloisa decide se afastar da cidade e levar uma vida de isolamento justamente na casa de veraneio da famosa escritora, em um balneário no Uruguai.

Ocorre que lá entre mobílias e fotos da escritora com sua família, as histórias de ambas passam a se misturar de forma que, em dado momento, Heloísa, entre um drinque e outro, já não tem mais certeza do que é real ou ficção. De em qual pedaço do caminho, as estradas de ambas se unem. E, nesse vai e vem das histórias de Heloísa e Laura, há ainda a “vida real”, que acontece no momento presente. Porém, o livro não perde seu fio condutor e, em momento algum da leitura, senti-me perdida, sem saber a quem se referia cada trecho da trama muito bem tecida por Letícia Wierzchowski.

O livro é curto, contando com apenas 205 páginas e a linguagem da autora, somada ao interessante enredo tramado num “emaranhado de histórias”, faz com que a leitura seja fluida, emocionante e surpreendente. Este foi do tipo de livro em que entrei madrugada adentro, lendo com curiosidade. Foi também, a única obra que li da autora, mas outros títulos dela já estão na minha “lista dos desejos”.

Mas, se a seu favor o livro tem um enredo interessante, com capítulos curtos e linguagem fluida, contra, há a cor escolhida para a impressão do texto: um azul bonito, mas que, pelo menos no meu exemplar, pareceu fraquinho demais, tornando um tanto dificultoso ler, sobretudo à noite. Mas isso não tira os méritos da obra, de maneira alguma. Creio que a cor eleita, tenha relação com a água: casa de balneário, lágrima, histórias que se fundem como as águas quente e fria em um mesmo oceano. Enfim, mas isso já são divagações de uma leitora sonhadora!!!!

Li a obra por receber várias indicações de diferentes fontes e recomendo muito: pela obra em si, por ser de uma escritora premiada e por se tratar de literatura brasileira atual e de qualidade.

Indicada para público adulto por seu enredo. Não há conteúdo impróprio para menores de 18 anos.

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