Destaque para arte-educação em exposição do artista Juarez Machado

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Fonte imagens: Instituto Internacional Juarez Machado.

Inaugurada no sábado, 18 de setembro, a mostra “J’aime le drama, mais pas la tragédie” (Gosto do drama, mas não da tragédia), integra as atividades realizadas pelo Instituto Internacional Juarez Machado (Joinville/SC), em comemoração aos 80 anos do artista e dialoga com a temática proposta pela 34ª Bienal Internacional de São Paulo , simultaneamente em vigência e inspirada no verso do poeta Thiago de Mello ” faz escuro, mas eu canto”, e evoca um tema da atualidade, ou seja, nosso drama coletivo diante das inconsequências em todo o mundo.
Além do conjunto de obras, a novidade fica por conta do foco educativo da mostra, que tem a expografia e curadoria experimental das educadoras Andri Silveira e Nicole Leite, mediadoras na instituição.

Em “J’aime le drama, mais pas la tragédie”, as educadoras garimparam o acervo museológico da reserva técnica, e trouxeram à pauta suas pesquisas bibliográficas e iconográficas, bem como as experiências didáticas do setor educativo. “A presente exposição faz um recorte da produção artística de Juarez Machado, abordando essencialmente as décadas de 80 e 90. O trabalho que desenvolvia no programa Fantástico desde o início dos anos 70 é abandonado, para assim dedicar-se exclusivamente a pintura. Em 1979 desloca-se para os Estados Unidos e em seguida para a Europa, se inserindo em um novo contexto cultural que o inspira profundamente. Suas composições se renovam ao mesmo tempo que resgata sua experiência na televisão e no teatro, permanecendo carregadas da atmosfera dramática característica da sua obra. Também é abordado o período inicial de sua carreira enquanto cursava Belas Artes em Curitiba. Desenhos raríssimos são resgatados, cujo assuntos principais permeiam memórias da cidade industrial em que nasceu. Nessa fase, e ao longo de toda sua carreira, seu interesse gira em torno da figura humana, inserindo-a nesse primeiro momento, em contextos de trabalho e drama. Em “Gosto do Drama, mas não da Tragédia”, o visitante irá descobrir ou redescobrir um Juarez alinhado com temáticas contemporâneas, de hoje e de agora, destacam Andri e Nicole.

Segundo o diretor artístico do instituto, o artista e jornalista Edson Machado, “O projeto curatorial revela desenhos que nunca foram expostos por aqui, resgatados do início da carreira profissional de Juarez Machado e produzidos com materiais de baixo custo, como graxa de sapatos sobre papel. Contempla também a tela intitulada “Novembrada ou Batalha do Calçadão” , inspirada no texto do escritor ilhéu Raul Caldas Filho, que registra um dos mais conturbados movimentos políticos de nosso país”.

Entrevista com as educadoras Andri Silveira e Nicole Leite

Arte na Cuca: Em muitos museus e espaços culturais, já tem se tornado comum a concepção de exposições a partir do olhar pedagógico e da arte-educação. Como surgiu o convite e como está sendo para vocês, pensar a expografia e curadoria com foco na educação e formação de público?

Andri e Nicole: Está sendo uma experiência ímpar. O convite partiu da diretoria do Instituto, e a proposta e conceito surgiu durante o processo de catalogação das obras, algo que a Nicole e eu vivenciamos e participamos de todas as fases. Baseadas nestes trabalhos, propomos um recorte que aborda as décadas de 60, 80 e 90. Fases que particularmente nos interessam muito. Estávamos muito alinhadas quanto ao recorte temporal, a sutileza das obras, que nos encantam e acreditamos que ainda são pouco exploradas. Um Juarez mais voltado as questões sociais, que apresenta outras técnicas. Juarez Machado não é um artista apenas de óleos sobre telas, mas um multiartista. É isso que nós pretendemos apresentar ao público nesta exposição.

Arte na Cuca: Uma das obras em destaque na mostra“J’aime le drama, mais pas la tragédie” (Gosto do drama, mas não da tragédia) é “Novembrada ou Batalha do Calçadão” (1997). Vocês podem comentar sobre a importância desta pintura na curadoria da exposição?

Andri e Nicole: Na obra “Novembrada ou Batalha no Calçadão”, Juarez retrata um movimento contra a ditadura militar no Brasil. O ato aconteceu no ano de 1979, na cidade de Florianópolis, e segundo fontes históricas, foi o movimento mais importante que ocorreu em Santa Catarina. Selecionamos a obra para instigar o público a conhecer esta fase do artista político e atento as questões sociais. Acreditamos estarmos vivendo um momento muito pertinente para propor reflexões acerca desta obra.

Arte na Cuca: Quem acompanha o trabalho desenvolvido pelo setor educativo do Instituto Internacional Juarez Machado, percebe que cada vez mais, o educativo vem desenvolvendo atividades de mediação cultural, oficinas e formação de publico. Podemos esperar programações de oficinas que dialogam com a nova exposição?

Andri e Nicole: As ações educativas já são uma prática dentro do instituto. Realizamos algumas propostas a partir do acervo e das obras expostas no pavilhão de exposições itinerantes. Por conta da pandemia, lançamos um formulário com inscrições prévias sempre que há oficinas previstas, no momento ainda não estamos recebendo visitas escolares. Para esta mostra, já estamos organizando novas propostas pedagógicas, que em breve será divulgada ao público em nossas redes sociais.

Quando? A partir de 18 de Setembro. Horário de Funcionamento: Terça a sábado – 9h às 18h.
Quanto? R$8 entrada inteira e R$4 meia entrada.
Onde? Instituto Internacional Juarez Machado. R. Lages, nº 994. Joinville/SC.

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