Costa Pereira abre exposição na Galeria Victor Kursancew

Clique abaixo para ouvir a postagem

Luciano da Costa Pereira abre neste sábado, 28 de julho, a exposição Referencial abstrato na Galeria Municipal de Arte Victor Kursancew. A mostra é parte da programação que comemora os 50 anos da Escola Fritz Alt da Casa da Cultura e reúne pinturas e trabalhos em papel que representam, simultaneamente, a atuação de Costa Pereira como artista e como professor.

Dentro da galeria, Referencial abstrato reúne 45 pinturas produzidas nos últimos três anos, parte delas mostrada já em 2016 pelo Museu de Arte de Blumenau na exposição Bichos, acordes e outras superfícies. Fora da galeria, no pátio da Casa da Cultura, quase uma centena de colagens, pinturas e desenhos em papel se acumulam numa das paredes do saguão. Os dois conjuntos de trabalhos foram reunidos sob a curadoria de Gleber Pieniz e resultam dos movimentos que Costa Pereira faz entre o ateliê e a sala de aula seja pintando, pesquisando ou compartilhando essas ações com os alunos.

Nascido em Mogi Mirim e criado em Joinville desde os primeiros anos de idade, Costa Pereira aprendeu os fundamentos da arte com o pai, graduou-se em Design e fez sua especialização em administração pública e gestão de cidades. Essa trajetória de formação e de atuação profissional dá ao artista um currículo que se alterna entre exposições individuais e coletivas desde a década de 1980 e o trabalho à frente de instituições como o Museu de Arte de Joinville e o Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (SIMDEC), além das próprias Escola de Artes Fritz Alt e Galeria Municipal de Arte da Casa da Cultura.

Ao ARTE NA CUCA, o artista fala sobre docência e sobre seus métodos, temas e referências na pintura.

O recorte, a colagem, o desenho e a pintura são técnicas presentes em seu trabalho. Como você transforma essa técnica em linguagem?

Minha preocupação e interesse na produção artística se relacionam muito com questões construtivas, de composição, como um músico relaciona notas musicais para produzir uma composição instrumental. Danto, em algum momento, disse que a história da civilização é a história das nossas representações. Produzo representações, porém não faço iconografias. Para compor relações entre formas e cores, a colagem me permite muita versatilidade, mas meu interesse é produzir pinturas no sentido mais tradicional do termo. Busco problemas para resolver, ou seja, para produzir essas pinturas e a colagem facilita esse processo, o desenho está presente nesse processo. É a estrutura de tudo: sempre desenho muito e, no sentido amplo do termo, minha pintura sempre foi muito desenhada. Acho que a pintura talvez seja o meu objetivo final, algo mais acabado, formal, mais pensado e estruturado.

Na arte contemporânea o processo ganhou papel de destaque e, às vezes, se torna mais importante do que o resultado final do trabalho. Como é o seu processo de criação? Que relações ele tem com o produto acabado?

Acho que a minha pintura, como produto acabado, surge por conta do fato de eu dar muita importância ao processo. Nada surge por acaso. No meu processo criativo, provoco a mim mesmo, crio problemas para resolver e as soluções surgem depois de muita experimentação e tentativas, de erros e acertos. Por isso montamos a parte da exposição que expõe os processos, os assuntos que levo para apresentar na sala de aula. No final, acabo tendo produtos mais resolvidos, afinal arte também é produto, não é mesmo? Ainda assim, continuo achando que o processo é mais importante e, por isso, insisto em trabalhar assim com meus alunos.

De que forma a interação entre a produção em ateliê e a atividade do ensino da arte em sala de aula influenciam seu processo criativo?  Quais são as situações de conflitos e de harmonia que essas atividades podem trazer ao artista-professor?

Influenciam muito. Não separo uma coisa da outra. Não significa que proponho aos alunos fazerem o que faço, mas levo minhas experiências para as aulas e trago as experiências dos alunos para meu ateliê. Cada um tem sua poética, suas individualidades. Não sou dono de nenhuma verdade. Minha função como professor é ser um provocador, propor desafios, incentivar a criatividade, cutucar. Em certos momentos acho que aprendo mais com os alunos do que eles aprendem comigo. Meu conflito com o aluno é quando ele não sabe o que quer, e harmonia é justamente quando ele sabe muito bem o quer. A partir daí é trabalho, muito trabalho.

O ato de recortar, colar e reorganizar é considerado por muitos como um processo terapêutico. Seu trabalho busca inspiração ou faz referência à Gestalt Terapia? Recorte e colagem têm algum valor terapêutico para você?

Quanto à percepção visual a Gestalt tem, sim, muita referência no meu trabalho, mas não como terapia. Pelo menos, este não é o objetivo. Trabalho elementos visuais como forma de construção compositiva, são estratégias da minha poética. Não uso isso como terapia.

Alguns dos temas aos quais você faz referência dizem respeito à história da arte, à azulejaria portuguesa, à iconografia científica, à memória familiar e à cultura pop contemporânea. Como esses temas dialogam na exposição Referencial abstrato?

Referencial abstrato reúne um período contínuo de produção, de 2016 a 2018, porém essas temáticas surgem de forma não-linear. Nesse processo produzo séries relacionadas com esses temas. Para a montagem da exposição com a curadoria do Gleber, os trabalhos se organizam em grupos temáticos e por gêneros: retratos, elementos (água, ar e terra), bichos, fragmentos visuais e abstrações, às vezes arranjados conforme as afinidades cromáticas.

DIA: 28 de julho
HORÁRIO: 10 horas
VISITAÇÃO: até 31 de agosto, das 8 às 17 horas (segundas e sextas-feiras) e das 8 às 20 horas (terças, quartas e quintas-feiras)
CUSTO: entrada gratuita
LOCALIZAÇÃO: Galeria Municipal de Arte Victor Kursancew – r. Dona Francisca, 800, no Saguaçu, em Joinville

Recommended Posts

Nenhum comentário por enquanto!


Adicionar comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *