Arte engajada e a produção artística de Queila Madeira

Clique abaixo para ouvir a postagem

No mês da consciência negra, o Arte na Cuca entrevista a artista Queila Madeira, sempre antenada com as causas sociais e faz uso da sua arte para expressar pensamentos sobre respeito, igualdade e união. Morando atualmente em Curitiba, mas sempre envolvida em projetos na cidade de Joinville, vem se destacando em cada trabalho que realiza. Graduada em design de animação digital, é nas artes visuais e no educativo de instituições culturais que encontra seu lugar de força e atuação. Queila fala sobre a vida, trajetória nas artes, produção artística, pesquisas e projetos recentes.

AnC: Queremos conhecer um pouco sobre sua história. Onde nasceu e qual sua trajetória no campo das artes?

Queila: Nasci em Curitiba/PR e ainda pequena fui para Guaratuba (litoral do Paraná), lá comecei a produzir meus primeiros desenhos e descobri minha paixão pela arte. Aos 12 anos retornei a capital e fiz aulas de pintura e desenho com o apoio da minha mãe que também era artista. Com 22 mudei pra Joinville, e ingressei no curso superior em design de animação digital, que me possibilitou estagiar e posteriormente ser funcionária do Instituto Internacional Juarez Machado.
Em 2017 participei da exposição “Memórias de Joinville”, no Shopping Garten e nos anos seguintes, me dediquei às exposições coletivas da Associação de Artistas Plásticos de Joinville (AAPLAJ). Trabalhei em uma campanha autoral intitulada “Mirror of Venus”, contra a violência sexual. Atualmente moro em Curitiba, trabalho como mediadora cultural na Fundação Cultural e faço pós-graduação em Artes Visuais.

AnC: Você foi uma das artistas convidadas para exposição “Negras no Underground”, produzido pela Ana Paula Porfírio. No campo da pesquisa, como desenvolve seus trabalhos?

Queila: Na minha abordagem artística busco experimentar processos híbridos e desafiar o público a pensar e colaborar para a solução de um problema de relevância social. A proposta do “Negras” me chamou muito a atenção, pois me identifico com a cena underground, apesar de não ser negra, amo a cultura afro brasileira.

AnC: Qual foi o trabalho produzido para a “Negras no Underground’?

Queila: Uma obra interativa, feita com stencil, spray sobre papel e cabelo artificial. Minha inspiração foi a maravilhosa Natália Matos da banda punk Punho de Mahin, uma cantora forte, linda e muito ativista.

AnC: Como foi o processo de criação de “Santa Natália”?

Queila: Durante o a criação, me preocupei bastante em como eu iria abordar a representatividade negra, sendo eu branca consciente de que provavelmente estou ocupando o lugar que deveria ser de uma artista negra. Por isso busquei conhecer melhor o trabalho da Natália e da banda. Realmente quis que ela (Natália) sentisse empoderada através do meu trabalho (consultei a opinião dela várias vezes, ela adorou a “Santa Natália”).
Também pesquisei sobre a questão racial no país. Citando o autor Reinaldo Gama, […] mais da metade da população brasileira é negra, sendo uma das principais raízes étnicas do país, nossa cultura é repleta de influência afro, mas mesmo assim 72% dos negros entrevistados declararam já terem sofrido algum tipo de discriminação. Precisamos falar sobre o racismo e o impacto social e econômico que isso tem para o nosso país. A obra “O que é ser negra no Brasil?” fala sobre a dor e a glória de lutar pelo que a Natália é. Um lugar de fala para as mulheres negras, que poderão escrever ali a sua realidade e com esses relatos, desejo dar ao público a oportunidade de se colocar no lugar de uma mulher negra.

Recommended Posts

1 Comment

  1. Avatar

    Parabéns! Excelente trabalho!!!! Suas obras são magníficas!!!


Adicionar comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *