O educativo nas instituições de arte de Joinville

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Qual a visibilidade que os museus e instituições culturais de Joinville dedicam ao seu educativo?

O título tem o intuito de ser provocativo.

Você já se perguntou qual a função dos museus e instituições culturais no mundo contemporâneo em que vivemo? Ser expectador ou “participador” do processo ?

São tantas as perguntas e questões que nos inquietam quando o assunto é o educativo e a mediação cultural…Mas qual é o seu papel dentro das instituições culturais? Será que o educativo é algo pensado exclusivamente para atender escolas e crianças?

Afinal de contas, o que é mediação cultural?

A mediação cultural é um meio utilizado para ampliar o repertório e a compreensão do público que se dispõe a observar ou participar dos encontros com a subjetividade da arte. São muitas as formas de compreender a mediação cultural em exposições de arte, estando presente por meio da curadoria, dos textos críticos, do material de divulgação, da exposição propriamente dita e, principalmente, por meio do educador do museu. A função do educador é comunicar, fazer observações e leituras de ordem semiótica referente às obras em questão, levando em conta o repertório daquele que está sendo mediado e instigando-o a encontrar seu próprio caminho, o seu jeito de se relacionar com a mostra.

Para isso aquele que media, necessita adquirir conhecimentos específicos a respeito da obra, do contexto histórico e cultural em que ela foi produzida e que está inserida, bem como do processo criativo do artista.

Além do preparo e do repertório do mediador cultural, este também precisa levar em conta de que é pela interação com o público que a mediação acontece. Não se pode limitá-la aos roteiros pré-estabelecidos pelas instituições, pois, mediar é mais que uma apresentação e reprodução de conceitos e informações, é um encontro de ideias, uma construção e amadurecimento constantes, um pensamento de ordem coletiva e singular, visto que cada pessoa aprende e interpreta o mundo a sua maneira. Por público mediado, pressupõem-se aqueles que desejam e estão abertos a tentar encontrar formas diferentes de se relacionar com a arte, observando pontos fundamentais ressaltados pelo mediador, que ao primeiro olhar, poderiam não ser percebidos. A mediação cultural acontece quando existe o desprendimento em permitir-se olhar de outra maneira, fazer um segundo olhar para arte e para a vida. O mediador cultural e o observador/participador tem que estar dispostos a compartilhar conhecimentos, a dialogar e a trocar experiências. Não há possibilidade de dar início à mediação cultural sem o entendimento entre aquele que media (e também recebe) e aquele que recebe (e também media) sendo então todos os envolvidos, também protagonistas da ação.

Entende-se que, a mediação cultural só acontece se ambos (mediador e “participador”) estiverem dispostos a compartilhar suas impressões, informações e conhecimentos de mundo, caso contrário, torna-se nada mais que uma espécie de aula expositiva, pouco ou nada significante para o visitante, já que as informações serão de certa forma, “despejadas” sobre ele, que na maioria das vezes, sentirá dificuldades quanto a assimilação dos conteúdos por não estar familiarizado com determinados conceitos e também com o que vê. É quando surgem às interpretações superficiais ou quase inexistentes que contribuem para perpetuar a anestesia, sentimento que está presente em nosso dia a dia e em grande parte da população, que por diversos motivos, pouco se relaciona com a arte na sua essência.

(Fragmentos de textos retirados do Trabalho de Conclusão de Curso “MUSEU DE ARTE DE JOINVILLE E MUSEU CASA FRITZ ALT: O PAPEL DO MEDIADOR CULTURAL E DA ARTE-EDUCAÇÃO NA ATUALIDADE” – Celiane Neitsch).

Com base no texto, compreendemos que a mediação cultural e o educativo são fundamentais no processo de educação e de “transformação” do olhar e que os mesmos não são exclusividade do público escolar ou infantil. Se é de interesse das instituições,  o aumento crescente do público, se faz necessário dar condições e oferecer atrativos (e não apenas atrações), para que a população tenha opções que vão para além da visitação.

Em Joinville, alguns espaços oferecem a opção de visita comentada (em outras publicações, falaremos do termo “monitor”), mas consideramos que os projetos culturais  incluam a participação dos visitantes, é de grande importância e contribui ainda mais para o desenvolvimento estético daqueles que estão em contato com as obras ou objetos de valor cultural. Outra questão muito pertinente, diz respeito a um determinado público que merece atenção especial e que precisa desesperadamente que as esquipes os incluam em sua programação: O público de pessoas com deficiência.

Pensar e debater políticas públicas que proporcionem o acesso a cultura e educação da pessoa com deficiência, também é essencial para o desenvolvimento cultural da cidade e é a realização efetiva de direitos adquiridos. Proporcionar acesso a cultura e a arte para todos, independente de sua condição, minimizando as diferenças e as injustiças sociais é um dever de todos os cidadãos, mas acredito que em especial, daqueles que escolheram como vocação, amor e profissão a arte e também a educação.

Um exemplo de equipe educativa e projetos de sucesso, é o “Museu Arqueológico de Sambaqui”, que conta com profissionais especializados, atendimento de referência, além de proporcionar experiências significativas as seus visitantes e contar com material pedagógico disponível para as escolas.

Esperamos e acreditamos em um futuros em que todas as instituições da cidade busquem oferecer, qualificar, valorizar e a cima de tudo, ter a consciência dos benefícios e necessidade de manterem as equipes de educadores, fazendo de suas mostras culturais, muito mais que um evento, e sim um local que faz a diferença e contribui com o avanço e fortalecimento do setor cultural e da educação não formal.

Diretores, educadores, curadores, artistas e demais envolvidos, vamos pensar juntos o educativo, a acessibilidade e a inclusão para fortalecer cada vez mais a arte de nossa querida Joinville!

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