Documentário resgata a memória da “Casa 909”, antiga instituição psiquiátrica de Joinville

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O minidocumentário “Casa 909” produzido e dirigido pelo cineasta Marcos Serafim em parceria com a artista e pesquisadora Samira Sinara Souza, está disponível via YouTube até dia 06 de dezembro. Pensando na diversidade do público, o mesmo conta com acessibilidade via recurso de ativação da legenda, disponível na aba inferior direita do vídeo. 

O filme conta a história da residência de uma das famílias mais importantes da cidade, os Wetzel, que mais tarde deu lugar a Clínica Nossa Senhora da Saúde, hospital psiquiátrico que esteve ativo entre os anos de 1962 e 1986, gerenciada pelo médico Osmar Schroeder. A Casa 909 da rua XV de Novembro é uma das casas mais emblemáticas da cidade de Joinville/SC, e atualmente está em processo de tombamento pela prefeitura municipal.

O minidocumentário teve origem no livro “Casa 909”, produto da pesquisa de mestrado de Samira, que na ocasião de seu lançamento em 2016, também foi inspiração para uma exposição coletiva de mesmo título, realizada pelos artistas da Associação de Artistas Plásticos de Joinville – Aaplaj. A exibição do documentário foi contemplada pelo edital #SCulturaemSuaCasa, promovido pelo Governo do Estado de Santa Catarina e Fundação Catarinense de Cultura.

Minidocumentário “Casa 909”

Sobre Samira Sinara Souza

Atriz, Performer, Produtora Cultural, Pesquisadora da VAI! coletivo em pesquisa cênica. É Mestra em Patrimônio Cultural e Sociedade pela Universidade da Região de Joinville- UNIVILLE, Especialista em Teatro Educação pela Faculdade de Artes do Paraná FAP- Curitiba/PR e Licenciada em Educação Artística pela UNIVILLE. Samira é autora do livro “A Casa Nº909 da Rua XV de Novembro: Espaço praticado de memórias em Joinville/SC”.

Em entrevista ao Arte na Cuca, Samira falou sobre a pesquisa que deu origem ao livro, o processo de produção do filme e também sobre suas impressões quanto às questões de preservação do patrimônio cultural da cidade de Joinville.

Arte na Cuca: A Casa 909 não passou despercebida pelo seu olhar atento de pesquisadora. Quais foram as suas impressões sobre este espaço, antes e depois da pesquisa histórica?

Samira: Antes da pesquisa, a intenção era conhecer sua história, suas memórias e desvendar os usos de seus espaços internos e entorno, posteriormente à pesquisa, foi o sonho de que a casa pudesse ter uma ressignificação como um lugar que poderia ser utilizado para fins culturais – o museu da loucura ou da medicina de Joinville.

Arte na Cuca: O documentário “Casa 909” é um convite à leitura do livro e de seu projeto de pesquisa. Quais foram suas expectativas sobre este projeto, e como foi à receptividade do público?

Samira: O processo do documentário foi rápido, divertido e prazeroso. Quando você trabalha com um diretor sensível, aberto e ousado, tudo se torna fácil. Marcos Serafim é um dos grandes cineastas da cidade, que não está mais em Joinville porque mora nos Estados Unidos. O convite para a produção desse documentário já foi com ele em outros territórios, com outra vivência. Quando esteve de férias do mestrado aqui no Brasil, aproveitamos para realizar o projeto. Foram dez dias de pré-produção (concepção da ideia e escrita do roteiro que desenvolvemos juntos).  A captação de imagens foi feita na Cidadela, além de entrevista com as professoras doutoras, Dione Bandeira e Ilanil Coelho.   

A receptividade do público foi muito positiva, tanto no lançamento do documentário quanto do livro, onde tive a honra de ser convidada pela Associação de Artistas Plásticos de Joinville (AAPLAJ) para ministrar um curso sobre espaço, memória e patrimônio, que resultou na exposição coletiva de nove artistas intitulada ‘casa 909’. As linguagens artísticas quando híbridas e buscando um diálogo entre si (literatura, artes visuais e cinema) tornam o papel da cultura mais prazeroso. Muitas pessoas quando veem o minidocumentário ou leem o livro, comentam alguma história sua com a casa. Isso é maravilhoso porque é possível perceber a identificação dos moradores da cidade com seu patrimônio.

Arte na Cuca: Falando em patrimônio, é visível que o patrimônio histórico e cultural de Joinville não está recebendo a devida importância do poder público. Você como pesquisadora e mestra em patrimônio, como percebe essa questão?

Samira: A percepção é a ausência de ações de políticas públicas com o patrimônio da cidade. É só andar no centro da cidade, várias casas deveriam estar revitalizadas, conservadas até mesmo com pintura. É só ver os centros de capitais como Curitiba e Recife, onde as casas históricas tiveram outro uso e estão conservadas para o turismo. Centro ausente, reflexo de cidade perdida e sem identidade, infelizmente.

Quando? Até 06 de dezembro.
Quanto? Gratuito.
Onde? No YouTube https://www.youtube.com/watch?v=BNMZVvn2-6E&t=61s

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2 Comments

  1. Vi o documentário.
    E logo venho na lembrança o sofrimento q meu avô materno passou ao do ficar em tratamento neste hospital. Mto triste. Foram MTS anos de tratamento e
    isolamento.

  2. Vi o documentário.
    E logo venho na lembrança o sofrimento q meu avô materno passou ao ficar em tratamento neste hospital. Mto triste. Foram MTS anos de tratamento e
    isolamento.
    Eu fui visita ló.


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