Contadora de histórias Daniele Pamplona participa de evento na Colômbia

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A atriz, professora, pesquisadora e contadora de histórias Daniele Pamplona participa do 5º Encontro Internacional Cântaro del Cuentos, que acontece na Colômbia de 8 a 10 de agosto na cidade de Itagui. O festival reúne contadores de histórias do Brasil, da Colômbia, da Argentina, da Bolívia e da Costa Rica e tem o objetivo de promover a troca de experiências sobre a arte de narrar contos e ampliar o acesso da população colombiana à cultura. Para viabilizar sua participação nesse encontro, Daniele conta com o apoio dos parceiros joinvilenses da Unisociesc e da Casa 97.

Daniele falou ao ARTE NA CUCA sobre sua viagem à Colômbia, sobre sua carreira, sobre a Companhia Casa Teatral e sobre o espetáculo que apresenta no sábado, 4 de agosto, às 17 horas, na Casa 97, arrecadando fundos para financiar sua participação no encontro internacional.

 

Como iniciou a sua trajetória artística e em que momento você fez da arte sua profissão?

Comecei cedo, fazendo aulas de teatro aos nove anos. Sou de Joinville, mas morei em Rio do Sul durante muito tempo e logo quando me mudei para lá minha mãe me levou na casa de cultura. Ela queria que eu fizesse balé, mas optei pelo grupo de teatro e não parei mais. Dos nove aos 14 anos fiz teatro nessa mesma instituição e participei de alguns festivais. Quando voltei para Joinville, com 14 para 15 anos, fui convidada pelo Nando Morais e pela Angela Finardi da Companhia de Teatro de Repertório da Univille. Ali conheci alguns colegas e montamos a Faunos Companhia Teatral, que atuou de 2001 a 2009, quando também cursei a faculdade de artes cênicas de Curitiba na FAP. Em 2010 eu e meu marido Soares montamos a Companhia Casa Teatral para trabalhar projetos que alinhassem arte e educação. Nunca me imaginei fazendo outra coisa e o que mais me movia para trabalhar era o discurso que eu ouvia, de que não era possível viver da arte, ainda mais no sul do país. Eu precisava ajudar em casa e trabalhar, consegui um estágio numa clínica de odontologia, mas não era pra mim. Junto com outros amigos, resolvemos largar os trabalhos e arriscar. Fizemos um curso de contação de histórias com Sérgio Bello no SESC, fomos combinando a contação de histórias com o teatro e a coisa foi acontecendo. Quanto mais assumimos o que fazemos e conseguimos fazer com excelência, maior o êxito. Quanto mais nos afastamos daquilo que queremos fazer e menos tempos dedicamos, menos êxito nós vamos ter.

De 8 a 10 de agosto você será a representante catarinense no Encontro Internacional Cântaro del Cuentos na Colômbia. Qual é a importância desse festival para sua carreira?

O que me encanta nesse projeto é o desejo que se tem de disseminar a arte e a educação pelas comunidades da região metropolitana de Medelim por meio da prefeitura de Itagui, que vem investido em muitas ações de transformação social através da arte. E o diferencial é que nós não vamos até lá só para contar histórias para outros contadores e, sim, para interagir com as pessoas daquela comunidade. O festival é constituído somente de narrações de contos em que os contadores vão contar e ouvir histórias com foco na oralidade de públicos variados. O objetivo é atingir grupos diferentes para contar e ouvir histórias, algo muito presente na cultura da América Latina, mas que para nós vem se perdendo com o passar dos anos.

Como é feita a seleção de contos que farão parte desse encontro?

Cada contador levará o seu repertório e a intenção é proporcionar a troca entre os participantes. É muito emocionante quando acontece de dois narradores levarem a mesma história porque elas serão expressadas e contadas de maneira completamente diferentes. Acho que isso é o que tem de mais bonito, quando a individualidade constrói o discurso.

Além dos trabalhos como professora e atriz, você produz e administra o Casa Teatral, desenvolvendo espetáculos que unem a contação de histórias e o teatro. Como iniciou esse projeto?  

O projeto existe há oito anos, iniciamos trabalhando com a educação ambiental e aos poucos fomos expandindo também para educação social, abordando diversos temas como abuso sexual infantil, trabalho infantil, violência contra a mulher, Estatuto da Criança e do Adolescente, direitos do idoso e pessoa com deficiência. Acredito que a arte por si só às vezes não consegue chegar nos lugares em que ela precisa e que nós precisamos da arte para ajudar a educação a acontecer, só conseguimos mudar alguma coisa se tocarmos as pessoas de forma verdadeira e sensível.

Como a companhia Casa Teatral atua para quem deseja assistir a um espetáculo?

Temos um repertório de doze espetáculos, alguns fazem parte de projetos fixos e anuais e, além disso, trabalhamos sob encomenda. Qualquer empresa ou instituição pode nos contratar para falar dos mais diversos temas. Sou eu quem escreve os roteiros enquanto o Soares materializa as ideias por meio da construção dos cenários que utilizamos. Tenho focado muito na contação de histórias e venho trabalhando bastante com palestras e formação de professores, porque com o espetáculo conseguimos causar uma marca, mas quando conseguimos desenvolver a formação, ela se torna mais profunda e mais duradoura.

O que o público pode esperar da apresentação de sábado, 4 de agosto, na Casa 97?

Brinco que consegui unir o útil ao agradável, pois muitas pessoas comentam que desejam ter a oportunidade de me ver contando histórias no palco e devido aos nossos eventos serem fechados, acabam perdendo a oportunidade. Pensando nisso e buscando meios de viabilizar minha viagem, vou oferecer a oportunidade de embarcar junto comigo nessa aventura que será o festival Cântaro del Cuentos e a Casa 97 é uma das apoiadoras. A arrecadação ajudará a bancar os custos dessa ida. Será uma tarde muito especial, repleta de contos para a família. No espetáculo estarão alguns dos contos que levarei para a Colômbia e será quase um brinde à minha carreira até esse momento. O evento não se destina a todos que gostam de histórias, independentemente de serem adultos ou crianças.

 

DIA: 4 de agosto

HORÁRIO: 17 horas

CUSTO: R$ 20 (ingresso antecipado) e R$ 25 (na hora)

LOCALIZAÇÃO: Casa 97 – r. Arco íris, 97, no Iririú, em Joinville

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