O artista prestador de serviços num contexto pandêmico

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Foto: Walmer Bittencourt Júnior.
Exposição: “A Partilha da Imagem” (2017). Artista: TiroTTi.

A revista Select publicou em 22/05/20 o artigo “O iminente colapso do setor cultural”, onde aponta que […] mais de 50% dos profissionais mapeados têm renda inferior a 3 salários mínimos, alto grau de informalidade e dependem majoritariamente das atividades exercidas no setor cultural para sobreviver.
Fato extremamente preocupante, pois após a publicação do artigo, quase três meses já se passaram e poucas foram as mudanças.

Os trabalhadores da cultura dependem quase que inteiramente da presença do público para garantir suas rendas e assim produzir seus shows, espetáculos, exposições e etc. Prestadores de serviços que têm as artes como profissão necessitam dos espaços culturais em pleno funcionamento para viver. Produtores Culturais, Artistas, Artesãos, Cenógrafos, Diretores, Atores, Músicos, Bailarinos, Coreógrafos, Arte-Educadores, entre tantos outros, fazem parte da enorme gama de profissionais afetados pela pandemia.

 Em um estado de normalidade, dificuldades como cortes de verbas, redução do quadro de funcionários, falta de manutenção dos espaços culturais e etc, já são por si só um enorme problema. Agora, além de enfrentarmos as adversidades habituais, a síndrome respiratória aguda, Covid -19 trouxe novos desafios que implicam diretamente no modo de produzir e apresentar cultura.

 Muitos artistas estão enfrentando a crise econômica do país empreendendo (obrigatoriamente) em novas áreas, e a aposta está quase sempre relacionada ao ramo alimentício, afinal, o confinamento deixou à população mais estressada e ansiosa, logo, a comida tornou-se moeda de troca para saber lidar com o momento. A informalidade da profissão faz com que o artista tenha pressa e se submeta a buscar novos postos de trabalho, pouco remunerados mas que garantem sua subsistência.  

A lei nº 14017 de 30 de junho de 2020, Lei Emergencial da Cultura Aldir Blanc, mesmo tardia e com recurso abaixo do esperado, vem como um sopro de vida para os trabalhadores, que aguardam ansiosamente pelo auxílio para poder retomar ou reorganizar seus projetos. Mas a quantia que provém do governo federal não garante a salvação da cultura, funcionando muito mais como medida paliativa do que como uma medida de proteção financeira que de fato protege e auxilia os artistas até a retomada de seus trabalhos.

Incerteza é a palavra da vez para quem precisa descobrir como recomeçar. Não há jeito certo ou errado, até agora o que temos são possibilidades. Tentativa e erro. Certamente muito do que conhecemos em matéria de eventos culturais que contam com a presença do público, deverá passar por um processo de readequação, com diversos protocolos e medidas protetivas que garantam a segurança de todos.

Os questionamentos que ficam são: como o artista está encarando essas novas condições de trabalho? De que forma acontecerá a relação da arte com o público em um contexto pós – pandemia? Será preciso repensar o conceito de aura na obra de arte? Ou então, como se dará a experiência estética do “ao vivo” se nossa segurança continuar dependendo do distanciamento social? As respostas dependem da ciência e do comportamento humano.

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1 Comment

  1. Giane Maria de Souza

    Excelente reflexão, precisamos pensar nas condições de trabalho e de existência dos trabalhadores da Cultura, na Pandemia e Pós Pandemia.


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