Arte para lidar com a vida

Passei os últimos dias pensando a respeito no que escrever e até ontem, não tinha ideia sobre o que. Penso que a dificuldade em si não estava em encontrar um assunto, mas sim em encontrar algo que valha à pena, que venha de dentro para fora, sabe?
Tantos assuntos sobre arte que antes me pareciam pertinentes, hoje não passam de mais um tema que pode esperar. Decidi então, dar ouvido aos sinais, prestar atenção no que acontece à minha volta, dia após dia, semana após semana. E o que isso tem a ver com arte? Pois bem, vamos lá!


O fato é que os últimos meses têm sido muito complicados, e essa virada de mês, em especial o dia 30/07/20, parecia ser só mais um dia (mas nunca é só mais um dia em nossas vidas, eis o maior erro de todos). Nesta data, recebo via redes sociais, a notícia da partida terrena de Heloísa Steffens, artista e também professora da Escola de Artes Fritz Alt, na Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior.

Um choque. Grande perda.

Nos últimos dois meses a arte na cidade está mais triste. Muitas têm sido nossas perdas. No mês de junho a diretora artística do Instituto Internacional Juarez Machado, Melina Mosimann também nos deixou. Mulheres notáveis, que sempre foram fonte de inspiração para mim. Lutadoras, generosas e dispostas a tentar fazer do mundo um lugar melhor através da arte.

 Mas esse texto não é para falar sobre tristeza e o quanto o ano de 2020 tem testado as minhas forças e a de muitos que conheço. É um texto reflexivo, com o intuito de agradecer e tomar como exemplo de resiliência e fé, essas duas personalidades da arte joinvilense,.

Quem decide trabalhar com arte, aprende logo cedo que para conseguir viver dela é preciso resiliência e fé. Mesmo os que conseguem chegar a certos níveis de reconhecimento profissional, tem que estar sempre antenado, seja com o mercado, o público ou até mesmo com as catástrofes do momento, afinal, desgraça vende.

Mesmo assim, com arte, conseguimos viver a incerteza do dia a dia, do trabalho ou da falta dele, da descrença que a sociedade tem na profissão Artista, sempre com um sorriso no rosto. O sorriso não significa que sejamos alienados ou que nos falte entendimento sobre os problemas do mundo, ao contrário, às vezes somos quem melhor enxerga-os.

Falar da tristeza com beleza e ternura é nossa especialidade. Emocionar e ao mesmo tempo acalentar a alma do público? Tarefa para poucos! Transmitir por meio de versos, danças e acordes, ou sorriso a alegria de viver, é ser apaixonado pela vida com todos os seus percalços sem nunca desistir de acreditar.

Tenho certeza que a passagem intensa pela vida e em meio à arte, eternizou Heloísa e Melina em nossos corações, e como dizia o poeta Manoel de Barros Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.”

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