Quanto vale uma cerveja?

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Imagem: Giane Maria de Souza.

Quanto era adolescente, eu e uma amiga do movimento estudantil Patrícia Claudine Hoffmann, fizemos um livro de poesia intitulado Transparências, e vendíamos a obra pelo valor de uma cerveja. Tínhamos 16 anos, e a manchete do jornal anunciava “adolescentes lançam livro de poesia”. Não recordo do preço do livro, tampouco da cerveja, mas chegamos a viajar para Florianópolis e vendermos o nosso livro em todos os botecos possíveis, do Centro às praias. Conhecemos muitas pessoas bacanas que gostavam de arte, poesia e cerveja, inclusive um músico que tocou com o Tim Maia. Sempre achei que cerveja tinha a ver com poesia, música e livros. Ninguém faz amizade bebendo leite, diria meu amigo Jacy, que trabalhou comigo anos atrás.

Eu desisti da poesia, depois que publiquei meu primeiro livro solo, Encarte, capa vermelha, com uma garrafa de cerveja derramada na mesa de um bar qualquer, comunista e embriagada. Dias atrás, o amigo Chico Zabot encontrou esta raridade em sua casa e, inspirado por uma cerveja ou uma cachaça em sua bodega, leu um poema no feicebuque, e me fez rir e ter vergonha do tempo que eu achava que era poeta. 

Minha amiga Patrícia continuou com seus escritos literários, e hoje a tenho na lista de minhas poetas favoritas, Florbela Espanca, Rita de Cássia Alves, Cecília Meireles, Elisa Lucinda, Dúnia de Freitas, Alice Ruiz entre tantas outras e outros poetas maravilhosos que me encantam e encantam este “mundo caduco”, como diria o Drummond.

A nostalgia deste texto é para provocar meus poucos leitores. Hoje ainda preciso de cerveja, música, livros e poesia para sobreviver. Também balzaquiana, incluí o vinho, porque como disse Charles Baudelaire, “é preciso embriagar-se”, sobretudo, nestes tempos sombrios, para aguentar o fardo do nosso tempo, do pandemônio à pandemia, é preciso estar embriagado sempre, de vinho, de virtudes, de empatia, de cerveja e de poesia.

Hoje, não troco mais livros por cervejas, mas sei que muitos poetas, músicos, atores, escritores ainda o fazem. Neste sentido, quero convidá-los a trocar o valor de uma cerveja por um apoio simbólico e mensal ao site Arte na Cuca, dos meus amigos Celiane, Walmer e Luciano, artistas jovens e engajados que atuam em uma cidade que reluta em valorizar e incluir a arte e os artistas em seu programa de desenvolvimento, de inclusão social, de investimento público, enfim, em sua necessidade de consumo. Formação de público é necessária, mas, também, a divulgação das artes e dos artistas, trabalho essencial executado pelo Arte na Cuca, um site alternativo sobre o mundo das artes, que nos alimenta com ricas e sempre indispensáveis informações.

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11 Comments

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    Texto genial!

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    Texto genial! Giane!

    • Giane maria Souza

      Obrigada minha linda!

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    Cervejas e poesias, ótima e ácida mistura. Elas conseguem sobreviver livres uma da outra, mas quando se encontram, encontram-se.

    • Giane maria Souza

      Totalmente de acordo primo querido!

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    Cerveja e cultura são parceiras.

    • Giane maria Souza

      Totalmente parceiras!

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    Muito legal, Giane. Ainda és poeta, só que da prosa.

    • Giane maria Souza

      Borba, obrigada meu amigo, mas o título de poeta da prosa lhe cabe mais! Adoro seus textos e histórias, além de beber muita cerveja com você!

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    Se não houvesse a cerveja o texto/depoimento já seria divino. Embriagado pelo vinho do saber, mais uma dose de bom gosto e conhecimento. Ébrio, o poeta se faz cantor de operetas pelos bares da vida e a vida brinda os tilintares da juventude.
    Parabéns!

  7. Giane maria Souza

    Obrigada pelas palavras! Seguimos com muita poesia e embriagados pela vida!


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