Protagonismo nas políticas públicas de cultura

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Na 7ª Conferência Municipal de Cultura, realizada nos dias 30 e 31 de agosto de 2019, na Casa da Cultura Fausto Rocha Jr, em Joinville, um encontro de gerações reafirmou os princípios que defendo sobre a participação da sociedade civil nos encaminhamentos das políticas públicas. Na ocasião, Letícia Helena Maia, presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Itinga (Amorabi), realizou uma intervenção emblemática em nome da participação da juventude nos processos de deliberação pública. No mesmo espaço, Dona Margit Olsen, trabalhadora da cultura, representante de relações institucionais da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, ex-gestora da Fundação Cultural de Joinville, agente cultural, com longa trajetória na defesa dos direitos culturais e das políticas públicas, advogava em nome da história das políticas culturais da cidade.  

O encontro de Letícia com Dona Margit até hoje me inspira. Não sem razão, resolvi redigir agora este texto. Voltada ao ofício de escrever em uma coluna no Arte na Cuca, organizado por um grupo de jovens com experiências e expectativas distintas das minhas, passo a reforçar que, para as políticas públicas, encontros de gerações são fundamentais para não apagarmos completamente o que o outro escreveu, e, da mesma forma, possamos colocar sobre a escrita do outro novas impressões, trajetórias e desejos.

Não podemos descartar a experiência daqueles que destinaram uma parte da sua vida para pesquisar, trabalhar e organizar a Cultura em nossa cidade, tampouco negligenciar a experiência jovem com os seus “horizontes de expectativas”, categoria formulada por Reinhart Koseleck. O historiador alemão, estudioso dos conceitos historiográficos, aponta que o “espaço de experiência” determina as aspirações sobre o passado, presente e futuro.
Sem a dimensão caricatural de que o jovem é o futuro e os idosos são o passado, torna-se urgente, em épocas de destruição de políticas públicas – sobretudo -, que se reúnam todas as gerações em defesa das políticas culturais de Joinville.

Não existe projeto de vida acabado, tampouco prematuro, ao passo que a participação social destas mulheres, Letícia e Margit, demonstram que as práticas culturais e as experiências cognitivas são processos de aprendizagem, por isso um movimento dinâmico. Não queremos inclusão, queremos protagonismo sobre as ações do Estado, e ambas gerações podem ensinar muito para os gestores da política local.

Para isto, contudo, os agentes culturais, entre eles, conselheiros, políticos, educadores, gestores, intelectuais, artistas e entusiastas em cultura devem-se permitir trabalhar horizontalmente com as múltiplas juventudes existentes em nossa sociedade.  O protagonismo das distintas gerações retroalimenta e reinventa os espaços de experiência, assim como os horizontes de expectativas das histórias das políticas públicas de Joinville, construídas por Celianes, Gianes – como parafraseando a escritora Marlete Cardoso, da Confraria das Letras -, e, claro, por Letícias, Margits e tantas outras fundamentais.

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3 Comments

  1. Avatar

    Parabéns Giane. Você sempre é justa nas palavras e muito engajada nas causas sociais e culturais de nossa cidade.

  2. Avatar

    Excelente texto. Posicionamento claro, ilustrativo. Ideia e posicionamento bens definidos. Leitura fácil, raciocínio bem colocado ajudou muito meu entendimento sobre o tema espeficado. Cultura para todos, em todos os cantos com a participação de todos.


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