Dança e atitude: a arte de Darling Quadros

Reconhecido internacionalmente por seu talento como produtor cultural, Darling Quadros é destaque quando o assunto é dança. Com rica bagagem cultural, além da participação nos mais diversos eventos da área. O artista iniciou seus estudos na escola de ballet da Casa da Cultura “Fausto Rocha Júnior” em 1995 e mais tarde, alcançou a Europa.

De volta a Joinville (SC), ele agora se prepara para um novo projeto o “Cidade da Dança”, evento que acontecerá na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil e contará com a participação da bailarina Cecília Kerche, nos dias 12 e 13 de março.

Nesta entrevista realizada pela historiadora Giane Maria de Souza, Darling fala a respeito de sua formação acadêmica, o reconhecimento na carreira e desafios enfrentados por quem escolheu a arte como profissão.

O produtor cultural Darling Quadros, A bailarina Ana Botafogo e o artista Juarez Machado.

Giane M. de Souza: A sua família é de Joinville? Gostaríamos de saber sobre suas origens, nos fale sobre seus pais, sua escola?

Darling: Essa primeira pergunta é muito interessante pois,  recentemente a  professora  Mônica Helena Goulart, da Universidade Federal do Paraná, fez um estudo da origem da família Quadros, a abordagem sobre a família do presidente da república Jânio Quadros, e relata a história da minha família. Jânio da Silva Quadros, era primo de meu avô João da Silva Quadros. Porém, meu avô e meus pais são joinvilenses. Iniciei meus primeiros passos de dança  na Casa da Cultura “Fausto Rocha Júnior” em 1995, mas minha formação foi na Europa.

Giane M. de Souza: Qual é sua formção acadêmica? Você estudou em Portugal?

Darling: Sou Bacharel e licenciado em Dança pela Escola Superior de Dança do Instituto Politécnico de Lisboa. A formação foi muito valiosa! Foram 4 anos de estudos em período integral, tendo aulas práticas e teóricas com conceituados professores, coreógrafos e grandes artistas europeus.

Giane M. de Souza: Você ousou sair da cidade de Joinville (SC) e compor um repertório artístico, pessoal e profissional fora do Brasil. Quais foram os principais festivais de dança que você participou e qual a importância deles no cenário da dança mundial?

Darling: Tive o privilégio de participar de conceituados  festivais de dança como: Bienal de Lyon e Cannes Danse Festival, na França , o Prix de Lausanne na Suiça, Danças na Cidade em  Portugal, também participei dos Dias de La Danza na cidade de  Havana, em Cuba.  Quando você participa desses eventos,  convive com prestigiados nomes  da dança internacional,  os maiores coreógrafos, além de  bailarinos extraordinários  e Cias de danças poderosas, esses festivais reúnem o que tem de melhor no mundo da dança, faz você  ter uma experiência,  uma vivência incrível. Conviver e aprender sempre com as  diversidades de espetáculos, debates, estudos, encontros etc.

Giane M. de Souza: No Brasil, você desenvolveu centenas de projetos, belíssimos, com rigor artístico e técnico. A sua longa experiência na produção da dança lhe fez trabalhar com ícones como Ana Botafogo, Aurea Hammerli, Cecilia Kerche, Cristina Martinelli e Nora Esteves. Fale-nos sobre estes trabalhos, os desafios de trabalhar com nomes icônicos do porte dessas estrelas?

Darling: Eu sempre gostei de trabalhar com os  artistas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, pois considero aquele teatro o “palácio  da cultura brasileira”. E trabalhar com: Ana Botafogo, Cecilia Kerche, Áurea Hammerli entre outros artistas,  é uma satisfação para mim como profissional da dança, mas acima de tudo, poder contribuir com jovens estudantes, dando a eles a oportunidade de aprimorar seus estudos com os melhores artistas dessa arte.

Giane M. de Souza: A São Paulo Companhia de Dança, na qual você trabalhou durante um período, possui um verbete com o seu nome no sítio eletrônico. Conte-nos como foi a experiência de trabalhar com essa grande companhia?

Darling: A São Paulo Companhia de Dança é uma Cia. muito bem estruturada, e com um importante trabalho artístico e educativo. O projeto  que fizemos juntos foi uma exposição dedicada às figuras da Dança, uma homenagem a grandes personalidades que fizeram e fazem a dança no Brasil, ser uma arte tão prestigiada.

Giane M. de Souza: Em Santa Catarina você desenvolveu numerosos trabalhos, por exemplo, coordenador do Saltare Centro de Dança do Instituto Festival de Dança de Joinville. Quais os desafios de trabalhar com um campo cultural consagrado, sobretudo na nossa cidade, mas ainda carente de políticas públicas consistentes para a área?

Darling: É difícil, mas não é impossível. Quando somos  determinados e queremos realizar algo em prol da arte, buscamos apoios e não poupamos esforços para atuar com nosso ofício. Mas é importante que os gestores públicos de todas as esferas governamentais, tenham ações para arte e a cultura.

Giane M. de Souza: Em 2019, você recebeu a medalha Cruz e Sousa, uma importante láurea conferida aos grandes nomes das artes e cultura em Santa Catarina, e em 2020, o Prêmio de Reconhecimento de Trajetória Cultural do Governo do Estado de SC. Qual o significado destes prêmios para a sua trajetória?

Darling: Eu fiquei surpreso, porém muito feliz em ganhar a medalha Cruz e Sousa. Ser condecorado com a maior honraria da cultura catarinense, ao lado de outras personalidades que fazem muito  pela  cultura do nosso estado, é muito gratificante.  Confesso que me sinto no dever de trabalhar ainda mais pela cultura catarinense.

Giane M. de Souza: Para um produtor de nível internacional, com muitos projetos desenvolvidos, o que ainda falta executar?

Darling: Tenho muitas ideias e desejos de realizar projetos voltados para as crianças e jovens catarinenses. 

Giane M. de Souza: Quais são os projetos em andamento? 

Darling: No próximo mês, vou realizar um projeto que se chama “Cidade da Dança”, aprovado na Lei Aldir Blanc (SC). Serão aulas de variações de repertório, para dezenas de estudantes de dança clássica do estado. O projeto conta com a participação de Cecilia Kerche, primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e da prestigiada pianista Medely Dib. O projeto esgotou suas vagas em menos de 24 horas, estou ansioso para concretizá-lo!

Giane M. de Souza: Quando assistimos a um espetáculo de dança, acreditamos que o glamour confere uma aura de aspecto especial e elitista à dança. Contudo, sabemos que na realidade, o processo de trabalho de um trabalhador (a ) da dança é de muito sofrimento, treino, lesões, stress, entre outros, além do isolamento da família. Como é o processo e rotina de um bailarino (a), para chegar ao nível de excelência das estrelas com quem você já trabalhou?

Darling: Costumo dizer que a dança é quase como uma religião, não basta você ter talento,  tem que ter muita disciplina, dedicação e acima de tudo, paixão. É uma arte linda, mas ela exige muito de você. Para ser um bailarino profissional, é preciso ter uma formação de 8 anos e se permitir estudar diferentes técnicas. É preciso estar consciente de que é um mercado competitivo.

Giane M. de Souza: Muitos grupos de danças urbanas, sapateado, tradicionais, étnicas, contemporâneas, participam do Festival de Dança e são muito requisitadas pelo público. O ballet no meio dessa multiplicidade de linguagens da dança artística, mantém-se ainda no gosto popular?

Darling: Sim, o ballet  clássico  vem atravessando séculos.  Prova disso é a qualidade de suas obras, ballets como: O Lago dos Cisnes, O  Quebra Nozes,  Don Quixote, encantam gerações e gerações. A  beleza dessa arte sempre esteve no imaginário das crianças. O carro chefe dos festivais de dança, são os grupos de ballet clássico. Os melhores concursos do mundo são os de  ballet.

Giane M de Souza: O que a cidade de Joinville deveria investir para ter a dança como um dos principais pontos de conexão com o turismo e o patrimônio, além do Festival de Dança?

Darling: Qualquer cidade importante no mundo, tem uma cia. de dança profissional para se  apresentar em eventos oficiais. Ou estão na sua programação cultural e é opção de espetáculos para  turistas e em especial, para os Joinvilenses. Ter uma cia. de dança,  é ter  um cartão de visita da sua cidade.

Giane M. de Souza: Quais são as demandas desta área que trouxe a Joinville, o cognome de capital da dança?

Darling:
Foi uma lei aprovada na Câmara Federal,  que deu o titulo de capital brasileira da dança para Joinville, e o que motivou isso foi o grande número de artistas da dança que vem todos os anos para cidade,  durante  Festival de Dança. Através desse evento, a cidade já recebeu artistas e cias. de várias partes do mundo, e com certeza, ter a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, da um destaque no que se refere à formação de qualidade. Agora é importante destacar que, a cidade  precisa ter uma visão de futuro e abrir novos  espaços artísticos nos bairros, precisamos de um teatro para dança e ter uma agenda cultural  durante todo o ano. 

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